Darwin e sua teoria da evolução são celebrados em exposição gratuita no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do RJ

Em tempos tão sombrios, em que se tenta desqualificar a Ciência, a natureza e a sabedoria ancestral, esta exposição gratuita no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, é um alento, um presente para cariocas e quem estiver ou passar pela capital fluminense até 30 de outubro. 

Assim, 295 peças – entre fotos, ilustrações (como a caricatura da revista Vanity Fair, que ilustra este post e foi usada na divulgação da mostra) obras de arte, fósseis, coleções botânicas e documentos de acervos históricos dos principais museus de Ciência da cidade –– retratam o período anterior a Charles Darwin, sua trajetória até a Teoria da Evolução e, por fim, o preconceito que o cientista sofreu e que, ainda hoje, está bem vivo em nossa sociedade. A teoria tem 160 anos!

Quando revelou sua teoria da evolução das espécies, Darwin nos reduziu à nossa insignificância. Somos nada mais do que fruto da evolução aleatória. Parte da natureza. Mas, como ainda é difícil, para boa parte da humanidade, entender e aceitar isso…

O ser humano não é especial, nem está acima dos demais seres vivos e essa constatação alterou drasticamente a forma como a humanidade vê o mundo. Com consequências importantes para a cultura, a ciência e a sociedade. Este é o fio condutor da mostra Darwin: Origens e Evolução, inaugurada hoje. 

São quatro salas. Na primeira, a ciência antes de Darwin, quando o homem era o centro do Universo. Para os habitantes dessa época, tudo existia em função do homem, que estava acima de tudo. Opa!

Na segunda, as descobertas geológicas e paleontológicas que prepararam o terreno para as teorias de Darwin. São dessa época as descobertas de fósseis e o desenvolvimento da noção de que poderiam ter passado pela Terra seres que não mais existiam, em outras palavras: estariam extintos

Preste atenção aos desenhos inéditos do dinamarquês Peter Brandt, que ilustravam as pesquisas de campo do cientista Peter Lund, pai da paleontologia no Brasil. Brandt foi o responsável pela descoberta de fósseis de exemplares da megafauna, animais de grandes proporções como baleias, girafas, elefantes, hipopótamos, rinocerontes… e répteis já extintos. Em seu livro, Darwin citou a coleção de ossadas recolhidas por Lund em uma caverna de Minas Gerais, veja só.

Na terceira sala, a tão esperada viagem de Darwin a bordo do HMS Beagle, de 1831 a 186. Foram cinco anos percorrendo várias partes do mundo. Imagina se isso não ia virar a cabeça do jovem Darwin… Anos depois, ele terminaria sua Teoria da Evolução, que é o tema da última sala. 

Com a Teoria, vieram o desprezo e o preconceito da sociedade de então, que negava a Ciência. Interessante pensar que cenário parecido poderia brotar em pleno ano de 2019. Com certeza, vai dar um nó na garganta de muita gente. E uma vontade de gritar que somos natureza, em outros tantos. 

DARWIN: ORIGENS E EVOLUÇÃO
Onde: 
Museu do Meio Ambiente – Jardim Botânico– Rua Jardim Botânico, 1008
Quando:30 de agosto a 30 de outubro, de terça a domingo, das 8h às 18h.
Entrada gratuita

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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