Cupins, besouros e pulgões… Esses visitantes indesejados

cupins e besouros

Com a chegada da estação das chuvas, os cuidados preventivos de limpeza dos drenos, canaletas, grelhas e canos deve se intensificar. A permanente vigilância no jardim e na horta garante que não sejamos pegos de surpresa com o rodo e as pás nas mãos depois das tempestades.

Com o tempo, todo jardim precisa de uma revisão nestes lugares, pois a terra vai se depositando pouco a pouco a cada ano. A água das chuvas, que transporta sedimentos e alimenta as raízes, também pode invadir tubulações, deixando-as, muitas vezes, inutilizadas. Consequentemente, a água poderá inundar uma área ou carregar canteiros inteiros, como expliquei no último post, quando falei sobre as diversas formas de erosão (leia mais aqui).

Então, aproveite a ronda durante seus passeios pelo jardim e fique atento à estranhas formas de manifestação da vida: insetos, casulos, ninhos, presença de serragem na base de árvores, bolotas de resina saindo por orifícios ou fendas nas cascas das árvores, caminhos feitos de terra, pequenos túneis de barro ou ainda, áreas mais lisas e planas, por onde trafegam centenas de patinhas minúsculas, que podem indicar vários tipos de habitantes.

Cupins, besouros, formigas e pulgões estão entre os visitantes indesejados mais comuns. Aranhas, escorpiões e lagartos vivem mais segregados, pois não gostam de poluição sonora, luminosa e urbana (na próxima semana prometo falar sobre eles).

Os cupins constrõem seus ninhos em madeira morta, pois se alimentam de fungos e cogumelos. Saber identificar um cupinzeiro terrestre de um arbóreo é importante para poder prevenir infestações em casas, cercas e previnir eventuais quedas de  troncos e a morte de nossas árvores.

Muito comuns no Brasil, os cupinzeiros de chão formam pequenos morros de barro, que chegam a atingir até um metro e meio de altura. Além de seus pequenos habitantes, geralmente há alguns outros inquilinos particulares, como cobras, lagartos ou preás, convivendo em suas bases. O cupinzeiro de árvores cria uma trilha de lama que começa na base das árvores e vai subindo até a copa, passando por baixo e se escondendo da luz. Aos poucos, instalam-se nos troncos secos e mortos, criando imensos ninhos feitos de terra, muito pesados e habitados por criaturas ávidas em consumir celulose e também, madeira, folhas, cascas, papel, tecidos, fios elétricos e concreto.

Já o ataque de besouros às árvore pode ser ainda mais perigoso, pois, embora em menor número, ou ainda, menos comuns, atacam com uma voracidade incrível, consumindo a lenha no interior do tronco em pouco menos que três anos. Lentamente, a árvore começa a demonstrar mudanças, como secreções resinosas (muito parecidas com plástico derretido, lisas e odoríferas), buracos grandes e serragem ao pé do tronco. Na copa, a mudança de aspecto das folhas (amarelamento), bem como o seu raleamento, acabam indicando a presença de seus habitantes da família dos coleópteros. No sul do Brasil, ataques do besouro serrador são comuns  em regiões de mata virgem. Eles cortam galhos com uma precisão incrível, derrubando troncos e ramos para a proliferação de seus filhotes.

No entanto, há casos em Brasília, Belo Horizonte e no Paraná de ataques específicos de um tipo de besouro (Euchroma gigantea L.), vulgarmente conhecido como besouro metálico ou Buprestidae, a alguns tipos de árvores, como a munguba (Pachira aquatica) e a paineiras (Ceiba speciosa). Trata-se de um inseto voador grande, com cerca de 7 cm de comprimento por 5 cm de largura, carapaça verde esmeralda, metálica, que deposita seus ovos em troncos com cicatrizes de poda mal preservadas, onde depositam suas larvas. A infestação, à principio invisível, só começa a dar sinais na medida em que o tronco da árvore vai sendo consumido e comecem a crescer fungos em suas raízes, quando o estrago já está pra lá de avançado. O maior perigo que oferece esta infestação é o desabamento da copa da árvore nas primeiras chuvas do verão, pois sua base carcomida em diversas galerias não suporta o peso de seu lenho e a pressão dos ventos e da água.

O que fazer neste caso então? Infelizmente, a retirada da árvore é a única alternativa possível e sua incineração é recomendada para evitar a proliferação desta praga. Se a árvore estiver em passeio publico é necessário fazer o pedido o mais rapido possivel à prefeitura, caso esteja em propriedade particular, a contratação de pessoas competentes com licença para operação de podas pela prefeitura é importante para evitar acidentes e maiores prejuízos.

Quanto aos cupins, o uso de inseticidas e a limpeza dos galhos poderá ajudar, mas para eliminá-los definitivamente, somente capturando a rainha no fundo da colônia. No entanto, a manutenção da vigilância é primordial nesta batalha interminável entre o meio selvagem, o campestre e o urbano.

Em dias de aleluia, nome que se dá à época de reprodução destes insetos, os cupins saem em revoada e sobrevoam cidades e campos para criar novos ninhos e recomeçar a colônia. As formigas também fazem revoada, para dissiparem suas colônias, e ao contrário de serem ameaças para árvores, pois só consomem suas folhas, podem ser ameaçadoras para parques infantis, clubes, áreas de recreação e residências, e centros de saúde, pois por onde caminham deixam uma trilha de germes e bactérias. No entanto, existem já à disposição no mercado, produtos de controle biológico contra elas, mas é importante entender que formigas são mais numerosas que nós em raça e diversificação, portanto conhecer seus hábitos e costumes é o primeiro passo para combatê-las.

Na horta, o uso do pó de concha (suplemento agrícola feito com conchas pulverizadas) e sementes de gergelim as afasta, todavia, a decisão de usar ou não venenos sintéticos e tóxicos será testada, acredite: elas são tão persistentes como nós e por isso mesmo, merecem respeito. Nem sempre conseguimos competir com elas, mas sempre poderemos conviver. Na biodinâmica existem preparados a base de  cinzas de formigas pulverizadas e diluídas em fórmulas centesimais (homeopáticas), que podem colocá-las dentro de um equilíbrio razoável.

A prática da humildade e da compaixão podem mudar o ponto de vista de qualquer hortelão. Se houver alimento para todos, porque não compartilhar? No principio dos cultivos, a terra está sedenta e faminta, as formigas vem como um prenúncio de vida e se forem respeitadas, voltarão a coexistir em harmonia. Basta praticar a compaixão, afinal, são seres vivos como nós  e com certeza, chegaram na terra muito antes de nós.

Foto: Chantal Wagner Kornin/Creative Commons/Flickr

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

2 comentários em “Cupins, besouros e pulgões… Esses visitantes indesejados

  • 2 de novembro de 2016 em 12:20 AM
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    Isso tudo é novidade para mim,não conhecia nenhum Pyulaga e nem sei onde fica ,quanto aos cupins ,ele estão comendo até cimento,na garagem lá da minha casa na praia,eles se divertem,besouros ,há uns pretos de barriga amarela e se amontoam nas flores dos araçás e também nas flores de hibiscos,que tem muito na minha área verde,também na praia,os pulgões gostam de comer as verduras princípalmente as couves!Quanto a este besouro metálico,aqui para estes lados do sul ou melhor nas minhas plantinhas lá na praia onde tenho até uma plantinha [ela cresce até um metro e seus frutinhos amarelos são uma delicia e seus frutos comercialisado são bem caros,as pessoas que curtem cozinhar ,eles fazem muitas coisas em festa de casamento e outros eventos elas sempre vão enfeitar doces e salgados,chama-se Phissalis,não sei se é assim que se escreve,vejo depois no Google!Gente não sei se era isso que eu deveria escrever mas como sou adepta de árvores,flores, e tudo que é matinho que serve para fazer chás .Será que meu comentários serviu?

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    • 2 de novembro de 2016 em 7:10 AM
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      Olá, obrigada pela mensagem e participação no Conexão Planeta.
      Também adoramos aqui árvores, flores e plantas!
      Abraço,
      Suzana

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