Crowdfunding apoia documentário sobre programa de alfabetização reconhecido pela Unesco

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Em 2014, Fellipe Abreu e Luiz Felipe Silva – jornalistas, fotógrafos e documentaristas – viajaram para a Bolívia para produzir reportagem sobre o programa educacional cubano Yo Sí Puedo, que ensinou mais de um milhão de bolivianos a ler e escrever nos últimos dez anos. Com um detalhe: no país mais indígena da América Latina e mais pobre da América do Sul!

Em 2014, se organizaram para viajar ao país (em setembro) e produzir uma série de reportagens – sobre gastronomia, esportes, turismo. Durante as pesquisas que fizeram para definir as pautas, descobriram que a Unesco reconhecera a Bolívia como país livre do analfabetismo. Isso só acontece quando a taxa de analfabetos está abaixo de 4%. Em 2014, a Bolívia atingiu 3,8%. Hoje, seu índice é de 2,9%! Sensibilizados, incluíram o tema na pauta e na bagagem.

Mas o que eles não sabiam é que essa viagem mexeria tanto com suas vidas e daria impulso a um de seus mais intensos projetos (até agora, pelo menos). Foi o que aconteceu quando mergulharam nesse universo e conheceram o programa educacional de Cuba, desenvolvido nesse país com camponeses, idosos (acima de 60 anos, que representam 40% do total alfabetizado), mulheres (70%), deficientes físicos e prisioneiros .

yo-si-puedo-fellipe-abreu-xxyo-si-puedo-luiz-felipe-xxEstá explicado por que Fellipe (ao lado, na foto à esquerda) e Luiz Felipe se encantaram com o programa e criaram um projeto para disseminá-lo pelo mundo? Mas há um outro fator que os levou ao país nos dois anos seguintes: eles foram provocados pelos próprios bolivianos. “Quando visitamos o grupo de idosos camponeses nas redondezas de La Paz, fomos recebidos com duas falas: na chegada, nos disseram Contem para todo mundo que somos capazes! Na saída, pediram: Não se percam! Não se esqueçam de nós!”, conta Luiz Felipe. “Esta foi a chave para que a reportagem se tornasse algo maior, para que ninguém mais se esqueça dessa pessoas”, completa Fellipe. “Sentimos que estávamos diante de um dos mais importantes momentos da história do país e decidimos realizar o projeto, nosso primeiro em dupla, com nossos próprios recursos”.

Só do programa educacional, os dois produziram cerca de 1300 fotos e gravaram entre 20 e 25 horas. É material precioso que eles querem espalhar pelo mundo por meio de um vídeo de uma hora (que será publicado na internet) e de 26 minutos para a TV. Só que depois de bancar três viagens sozinhos, os recursos acabaram. Por isso, para dar continuidade à edição e sonorização do documentário on line, acessível gratuitamente, a dupla decidiu buscar apoio financeiro por meio de crowdfunding no Partio que vai até 13/9. O valor captado também viabilizará a inclusão de legendas em espanhol, português e inglês.

As contrapartidas para quem colaborar com o projeto no Partio são muito interessantes. Entre elas estão imagens belíssimas produzidas pelos dois profissionais e também malhas de lã tricotadas pelos participantes dos grupos de alfabetização e pós-alfabetização. E mais: em uma categoria específica, os apoiadores receberão cópia de carta escrita de próprio punho por alunos do programa Yo Si Puedo, agradecendo a colaboração. Vamos nessa?

Narrativas inspiradoras

yo-si-puedo-fellipe-abreu-2-De setembro de 2014 a fevereiro de 2016 – em três viagens distintas -, Fellipe e Luiz Felipe acompanharam cinco grupos de alfabetização. No documentário, querem contar a história da professora Keyla Guzmán (na foto que abre este post e ao lado), que leciona para 26 alunas e um aluno em Mercado Rodriguez, espécie de feira popular no centro de La Paz. Ela não descansou – foram quatro anos! – enquanto não viu seu método de ensino aprovado pelo Ministério da Educação. Iniciado com a fase de alfabetização – que equivale ao ciclo primário do sistema educacional boliviano e dura seis anos para crianças e dois anos para adultos –, agora, esta está em vias de ganhar novos contornos com o programa de continuidade Yo Sí Puedo Seguir.

O filme apresentará dois grupos de camponeses em aula. Em um, as aulas são ministradas em espanhol e quéchua. No outro, ainda há aulas profissionalizantes que apresentam técnicas de artesanato e malharia. Também mostra a realidade de deficientes físicos, entre eles jovens com Síndrome de Down, e dos presidiários de Miraflores que quiseram aprender a ler e escrever para recuperar suas vidas.

Agora, assista ao vídeo que Fellipe e Luiz Felipe produziram para divulgar o crowdfunding e que apresenta bem o projeto dos dois amigos, realizado “para que o mundo não se esqueça deles!”. Tomara que seja também para inspirar outros países a adotarem o programa revolucionário, que transformou a vida de um milhão de bolivianos.

Também mergulhe em algumas imagens deliciosas que Fellipe fez durante a viagem.

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Fotos: Fellipe Abreu

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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