Crianças que não brincam ao ar livre têm mais chances de ter miopia

Crianças que não brincam ao ar livre têm mais chances de ter miopia

Hoje em dia a infância é grudada na tela. Olhos que não se desviam do celular, do monitor do computador, dos games, do tablet. Se não bastasse o prejuízo que isso traz para o desenvolvimento físico, emocional e social dos pequenos, médicos alertam sobre mais um problema: o aumento do risco delas desenvolverem miopia, ou seja, a dificuldade de enxergar objetos e paisagens mais distantes.

De acordo com um artigo científico divulgado recentemente na publicação British Journal of Ophalthalmology, há um crescimento gigantesco do número de casos de miopia no mundo todo. Em 2010, cerca de 2,8 bilhões de pessoas sofriam com este mal, mas a expectativa é que, até 2050, sejam 4,8 bilhões. Na China, a miopia já é considerada uma epidemia: lá 90% dos jovens não conseguem enxergar o que está longe.

Apesar dos fatores genéticos contribuírem bastante para o desenvolvimento da miopia, os pesquisadores do estudo afirmam que a falta do brincar ao ar livre durante a infância também pode estar ajudando, e muito, para o aparecimento de novos casos.

“Sabemos de estudos anteriores que a genética possui um papel importante na variação populacional, mas ela não explica a razão pela qual a miopia está se tornando mais comum”, afirma Katie Williams, uma das autoras do estudo do King’s College London, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. “Genes não mudam tão rapidamente em apenas algumas gerações, então a probabilidade é mesmo que seja a pressão provocada pela vida moderna que aumenta a prevalência da miopia”.

Os cientistas explicam que quando as crianças estão em um ambiente aberto, elas são obrigadas a olhar para distâncias mais longas e para o horizonte, além de ficarem expostas à luz do sol, considerado algo importante para a saúde da visão.

“Não há muito o que ser feito quando a criança nasce… Todavia, períodos dentro de casa, fazendo atividades internas, aumentam a chance da miopia”, diz Katie. “É muito importante ter um equilíbrio do brincar ao ar livre na primeira infância”, recomenda.

Um dos dados revelados pelo artigo é que, a cada hora extra que a criança passa em frente ao computador, seu risco de ter miopia aumenta 3%.

Os pesquisadores da Inglaterra acompanharam o crescimento de 1.077 crianças, nascidas entre os anos de 1994 e 1996. Foram analisados fatores como genética, comportamento, sexo e nível educacional.

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Um comentário em “Crianças que não brincam ao ar livre têm mais chances de ter miopia

  • 22 de novembro de 2018 em 8:01 PM
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    Disso deduz-se que, em sentido figurado, “olhar para longas distâncias” pode significar mudar o foco para o horizonte das novas idéias e renovadas emoções, quer sejam adultos ou crianças que, por força da rotina eletrônica em que vivemos, tendem a restringir o espaço mental ao tamanho de uma pequena tela, engessando a criatividade dos pensamentos nos antolhos das horas sem a atividade física da descontração nas paisagens abertas. Não apenas os olhos, tudo em nós precisa viajar mais longe, além das quatro paredes de um cômodo restrito, onde a luz que o ilumina em nada se parece aos esplendores do amanhecer ou das estrelas prateadas, que esquecemos como é bonito apreciar de graça, sem descarregar a bateria ou precisar apertar nenhum botão.Estamos míopes também para as pessoas que estão perto de nós, ansiando nossos olhos nos olhos delas, mas estamos ocupados demais respondendo mensagens das pessoas distantes, desconhecidas que adicionamos como “amigas” que nem sempre conhecem a senha do nosso coração nem possuem olhos capazes de nos ver também.

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