Costa Rica quer banir plásticos descartáveis até 2021


A Costa Rica é um país lindo, que depende basicamente do turismo. Sempre priorizou a preservação de suas florestas e a manutenção de unidades de conservação, não só por sua vocação ambiental, mas também para receber bem seus turistas.

Sua posição frente às mudanças climáticas também é muito firme, tanto que é um dos signatários do Acordo de Paris e, hoje, 99% da energia consumida é de fontes renováveis.

No entanto, a gestão de seus resíduos sempre deixou a desejar. O país produz, anualmente, cerca de quatro mil toneladas de resíduos sólidos e, deste montante, 20% não chegam aos centros de reciclagem e terminam poluindo rios, praias, o mar e as florestas.

Com base nessa realidade e também ciente de que é preciso conservar suas praias e o mar limpos, foi lançado o projeto Zona Livre de Plástico para substituir o plástico descartável, principalmente os de um único usosacolas plásticas, talheres e canudos – até 2021.

(Assista ao teaser do projeto, no final deste post, e conheça a campanha contra os canudos de plástico da Lonely Whale Foundation)

Trata-se de uma iniciativa atrelada ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos, mas que envolve não só o governo (por intermédio de seus ministérios do Meio Ambiente, da Energia e da Saúde), como também a ONU via PNUD, seu Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -, o setor privado e organizações da sociedade civil como a Mar Viva.

A ideia é reduzir a pegada do petróleo no país e garantir que suas praias e o mar sejam e permaneçam limpos. Para tanto, não se atém apenas a tirar esse tipo de plástico de circulação e a implementar mutirões de limpeza das faixas de areia, mas, sim, de substitui-lo por outros materiais, criar alternativas. E – claro, e não menos importante! – de educar a população para a adoção de novos hábitos.

(Veja a ação realizada pelo Instituto Ecosurf, na Jureia, em São Paulo, durante a qual foram retirados mais de 50 mil itens de plástico)

Uma das medidas do projeto se refere a incentivos municipais que promovem o uso de materiais renováveis e compostáveis. Os comerciantes são livres para escolher se continuarão ou não utilizando sacolas, colheres e canudos plásticos em seus estabelecimentos, mas quem não aderir à iniciativa, pagará uma taxa – ou, seja, uma multa. Justíssimo! Isso, na verdade, é o que deveria ser feito em toda e qualquer atividade que demonstre não ser sustentável em todos os aspectos, em todo o mundo.

Para garantir a adesão dos órgãos públicos, o governo tem definido políticas e diretrizes para que seus fornecedores atendam às exigências do projeto.

E claro que a parceria com universidades e instituições de pesquisa é imprescindível para o desenvolvimento desse projeto, focando na criação de alternativas ao plástico e estimulando soluções criativas e inovadoras. Com um detalhe: estes não podem ser oxibiodegradáveis (que se fragmentam muito rapidamente, diluindo-se no solo ou na água) e devem ser compostáveis no mar também. Isto porque, obviamente, os oceanos estão no foco destas ações, que seguem as diretrizes da campanha lançada pela ONU no início deste ano: Clean Seas (Mares Limpos). Assista ao teaser da campanha no final deste post.

Já existem alguns avanços no que tange à criação de novos produtos com o uso de materiais inusitados: um grupo de estudantes universitários, por exemplo, está trabalhando com casca de banana que parece ser cinco vezes mais forte do que plástico e – a boa notícia! – se desintegra, em qualquer ambiente, em apenas 18 meses!! Crises sempre são, realmente, momentos de muitas oportunidades.

Cogita-se também transformar os pequenos comerciantes em promotores de educação ambiental. Por sua proximidade com o consumidor, o cidadão comum, eles são perfeitos para ajudar a disseminar a mensagem do projeto mais fortemente. E a mostrar os ganhos na substituição dos plásticos no dia a dia, ou no seu banimento por completo.

Para o sucesso da empreitada, a transparência nas informações é outra característica imprescindível desta iniciativa. Assim, todos os dados referentes às ações que o compõem serão divulgados online, para consulta pública em qualquer tempo. Entre eles, estarão lá os resultados do monitoramento periódico das praias que identificarão se os impactos do plástico estão ou não sendo reduzidos. Ou seja, qualquer pessoa no planeta Terra poderá saber como está caminhando o projeto Zona Livre de Plástico… e se inspirar.

Agora, assista ao teaser do projeto Zona Livre de Plásticos e também da campanha Clean Seas da ONU:

 

 

Foto: Divulgação/Costa Rica 
Imagem: Reprodução do teaser do projeto

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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