Corvo usa carros como ‘quebra nozes’ para conseguir alimento

Corvos são capazes de resolver problemas complexos utilizando a inteligência. Em uma cidade japonesa eles aprenderam a chegar na parte comestível da semente usando um carro e um farol de pedestres. Mas como isso funciona?

Deixar uma semente cair de uma altura elevada para que ela se abra já é uma estratégia utilizada por algumas aves. No entanto, existem sementes extremamente duras e para quebrá-las é preciso encontrar outra forma. Alguns corvos, também conhecidos como gralhas-pretas (Corvus corone) resolveram o problema de uma forma fantástica: utilizando carros como quebra-nozes.

O corvo se posiciona em cima de um cruzamento e joga a semente na rua. Então espera que um carro passe por cima para abri-la. O problema, nesse momento, é pegar as sobras sem ser atropelado por um carro. Então, a ave se posiciona na calçada e espera o sinal fechar para os carros. Quando eles param, o corvo anda – como se fosse um pedestre atravessando a rua! – e coleta a refeição de forma segura.

No vídeo abaixo é possível ver esse comportamento único (para chegar direto ao ponto, posicione o vídeo a partir dos 40 segundos). Em seguida, continuamos a nossa conversa…

Não é novidade que corvos são animais inteligentes. Estudo publicado no periódico Animal Cognition (Cognição Animal) revelou  uma outra habilidade dessas aves: sua capacidade de reconhecer vozes de seres humanos. E conseguir identificar seus vizinhos pode ser a diferença entre a vida e a morte para o corvo americano (Corvus brachyrhynchos), na foto abaixo.

Essa ave forma bandos mistos com pegas e gaivotas. Quando uma delas percebe um predador, soa o alarme e o restante do grupo tem mais chance de escapar. Assim, os corvos aprenderam a confiar no chamado dos membros de seu bando.


Humanos também fazem parte da vida dos corvos. Enquanto alguns oferecem comida e são amigáveis, outros caçam as aves para proteger as plantações. Assim, seria vantajoso perceber se uma pessoa representa uma ameaça ou não. Segundo o estudo, os corvos são capazes de identificar a voz de uma pessoa e conectá-la com uma memória boa (como conseguir alimento fácil) e passam a confiar nessa relação. Se ouvirem vozes desconhecidas, ficam atentos, pois esse som desconhecido pode representar uma ameaça.

Seja quebrando sementes ou reconhecendo vozes, os corvos não param de nos surpreender.

Fotos: Gralha-preta (Corvus corone) por Andreas Eichler/Creative Commons 4.0 (abertura) e Corvo-americano (Corvus brachyrhynchos) por DickDaniels/Creative Commons (meio do texto)

 

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

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