Cor de besouro

besouro

Já tinha passado a hora de renovar a pintura da casa, desgastada por anos de sol, chuva e uma recente reforma. Tomada a decisão, chegou o momento mais difícil: escolher a cor. Pesquisamos sobre psicologia das cores, cromoterapia, círculo cromático. Analisamos o jogo de luz e sombra que incide sobre cada parede da casa, ao longo do dia e das estações do ano. Acabamos optando por um tom próximo do terracota, fazendo um bom contraponto com o verde da mata que rodeia o imóvel.

Compramos a tinta e, enquanto os pintores preparavam as paredes, veio a sugestão de trabalhar com duas cores nos diferentes blocos visuais que compõem a casa. Então tivemos que partir para um novo desafio: após tanta pesquisa, qual cor funcionaria bem com a já escolhida terracota?

Eu e Naíra estávamos neste impasse, testando pigmentos, até concluirmos que não valeria a pena gastar mais tempo e arriscar algo que poderia não ficar bom. Fomos comunicar a decisão a um dos pintores, que no momento lixava a parede próxima a uma luminária escura. Foi quando olhei para o lustre e vi um enorme e colorido besouro-arlequim, espécie que há anos habitava meu imaginário de biólogo-fotógrafo, e que até então, eu só havia visto em fotos (inclusive na capa de um CD do Ney Matogrosso).

Rapidamente resgatei o bicho, coloquei-o no tronco da figueira ao lado, busquei a câmera e comecei a fotografar, explorando por quase duas horas as inúmeras possibilidades fotográficas que seu padrão de cores oferecia. Enquanto admirávamos a beleza do besouro (e os pintores observavam de longe a sessão fotográfica, surpresos com nosso interesse no bichinho), tivemos uma epifania: “olha só, os tons avermelhados nas asas dele são muito parecidos com a tinta que vamos usar, e as linhas pretas remetem às colunas de madeira aparente que ficam nas quinas da casa. E se a gente pintasse algumas das paredes com a outra cor que aparece nas asas, próxima ao tom de concreto?!”. E assim foi feito.

A Naíra até cogitou levar o  belo inseto em uma caixa na loja de tintas para escolher a cor exata, mas acabamos concluindo que não seria uma boa – imaginamos que o vendedor ia achar meio esquisito…

Nossa ideia deu certo, a combinação de cores ficou incrível, e agora quando alguém perguntar a cor da nossa casa, a gente vai responder: “cor de besouro”.

Até a anta foi conferir a pintura nova da casa

Fotos: Daniel De Granville

Biólogo com pós-graduação em jornalismo científico e diretor da empresa Photo in Natura. Trabalha como fotógrafo da natureza na região do Pantanal e Bonito (MS), onde ministra workshops de fotografia e atua como guia para públicos de interesses especiais.

Daniel De Granville

Biólogo com pós-graduação em jornalismo científico e diretor da empresa Photo in Natura. Trabalha como fotógrafo da natureza na região do Pantanal e Bonito (MS), onde ministra workshops de fotografia e atua como guia para públicos de interesses especiais.

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