Coquinhos nativos para cabelos veganos

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Cachos bem definidos e sem excesso de volume, mesmo lavando os cabelos todos os dias deste verão quente, só mesmo com a ajuda do óleo de macaúba na composição do xampu. E essa é apenas uma das muitas matérias primas da biodiversidade brasileira disponíveis na Life Cosmetics, empresa especializada em essências, manteigas e óleos naturais, todos obtidos por prensagem a frio.

Conforme explica o engenheiro químico responsável, Marcelo Imperador Paschoal, ali eles não fabricam os cosméticos para o consumidor final, mas fornecem a matéria prima para quem quer fazer seus próprios cosméticos – pessoa física ou jurídica. E ainda oferecem cursos de saboaria vegana aos interessados em aprender da arte.

“Nosso capital é 100% brasileiro e 90% dos nossos produtos são matérias primas nativas. Só dois ou três produtos são importados”, conta Paschoal. “As matérias primas disponíveis são constituídas de 100% de material vegetal prensado, sem glicerinas (derivadas de petróleo) ou outros aditivos químicos, por isso interessam principalmente aos veganos. Estamos organizando, inclusive, a coleta de 50 mil assinaturas, num pedido para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitir a obtenção de registro para os artesãos que trabalham com o cold processing”. Com o registro, ficará mais fácil para o consumidor final distinguir os produtos 100% vegetais dos demais cosméticos.

No caso do óleo de macaúba, os xampus ficam com uma textura mais leve que os produtos normalmente encontrados no mercado, evitando que os cabelos logo pareçam ensebados. E também existe a possibilidade de misturar à tintura ou aos produtos de alisamento, na hora da aplicação. Por conter antioxidantes, o óleo protege os cabelos contra o desbotamento, o ressecamento e os demais efeitos dos produtos químicos. Em longo prazo, o uso frequente ajuda a retardar o envelhecimento dos fios.

A palmeira da qual se obtém esse óleo cheio de qualidades pode ser facilmente encontrada em beiras de estrada, em concentrações chamadas macaubais e até mesmo em praças e parques de cidades do interior, em quase todo o Brasil. A espécie tem outros nomes comuns, como macaíva, bocaiúva ou coco-de-espinho e seu nome científico é Acrocomia aculeata, numa referência aos espinhos abundantes do caule.

Os coquinhos têm 6 a 8 centímetros de diâmetro e dão em cachos de até 60 quilos. Quando ainda estão lá no alto, são consumidos por araras, maracanãs e periquitos. Quando derrubados ou caídos de maduros, alimentam antas, emas, pacas, cotias, capivaras e outros roedores menores. Alguns fabricantes de sorvetes artesanais eventualmente disputam com a fauna silvestre a polpa dos coquinhos, rica em betacarotenos (pró-vitamina A).

E não faltam pesquisadores interessados tanto na boa produtividade das palmeiras como na boa qualidade do óleo de macaúba, com potencial até para produção comercial de biodiesel. Em falta mesmo estão produtores rurais para providenciar plantios comerciais, pois, atualmente, a maior parte da produção de coquinhos para obtenção de óleo vem mesmo de coletas realizadas nos macaubais espontâneos, em geral feita por cooperativas do Cerrado.

Foto: Liana John (cachos de macaúbas)

 

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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