COP21: o mundo à procura do acordo climático perfeito

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Ontem, representantes de 195 países e da União Europeia circulavam pelo parque de exposições Le Bourget, em Paris, para participar da cerimônia de abertura da 21ª. Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas – COP21, na companhia de Christiana Figueres, secretária-executiva da conferência, e de Laurent Fabius, ministro das Relações Exteriores da França e presidente desta edição da conferência (abaixo, os dois na cerimônia de entrega da chave do centro de exposições). Mas, antes de qualquer conversa, fizeram um minuto de silêncio pelos mortos dos atentados terroristas neste mês.

cop21-cris-figueres-e-laurent-fabiusAssim, sob clima tenso – em todos os sentidos -, começam, hoje, 30/11, as negociações da Cúpula do Clima. Em 12 dias, chefes de estado e de governo, diplomatas e ministros devem fechar acordo climático global que garanta um futuro seguro para a humanidade, se comprometendo a adotar, em seus países, práticas que ajudem a evitar que a temperatura do planeta aumente mais 2ºC nos próximos anos, décadas e até o final do século.

O que estará nas mesas de negociações, basicamente, são as metas para a redução de gases de efeito estufa (GEE) e tudo que torne possível a adoção de uma economia verde, de verdade: transferência de tecnologia e financiamento, além da resolução sobre os impasses a cerca das responsabilidades históricas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Vale lembrar que 183 países apresentaram suas propostas para reduzir emissões, chamadas de INDCs ou contribuições pretendidas nacionalmente determinadas, que representam 94% das emissões globais. A adesão dos países foi muito animadora, mas, segundo especialistas, os compromissos ainda estão muito aquém do necessário.

O objetivo da conferência é criar um documento que substitua o Protocolo de Kyoto que deveria ter sido aposentado na COP18, em 2012, em Doha (Quatar). Ele começou a ser elaborado em 1990, foi ratificado por 175 países na Eco92, no Rio de Janeiro, e negociado somente em 1997, na COP3, na cidade de Kyoto, no Japão. Propunha a redução de 5% nas emissões de GEE até 2012, em relação a 1990. Os Estados Unidos – o segundo país mais emissor do mundo – nunca ratificaram esse documento. O protocolo ganhou ‘sobrevida’ na COP18, quando, sem uma solução viável para encerrar a conferência, os negociadores o prorrogaram até 2020.

Por isso, qualquer que seja o acordo fechado em Paris, ele entrará em vigor somente em 2020, e será válido por 30 anos, ou seja, até 2050. Hoje, Christiana Figueres disse que todos os acordos definidos na conferência terão força de lei para todos os países que dela participam, ou seja, serão “legalmente vinculantes”. Mas destacou que o grande desafio será reunir os diferentes aspectos de cada país e que o acordo deverá ser muito mais complexo do que o Protocolo de Kyoto.

Quem vai?

Além do presidente da França, François Hollande, estão presentes à conferência 147 chefes de Estado, entre eles: Barack Obama (Estados Unidos), Xi Jinping (China), Angela Merkel (Alemanha), Enrique Penã Nieto (México) e de Dilma Roussef (Brasil). Dilma chegou a Paris no sábado, 28/11.

Sem a participação dos Estados Unidos e da China, os dois maiores emissores do mundo, qualquer acordo nesta conferência seria impossível. Obama estará lá e já adiantou que se encontrará com Xi Jiping, presidente chinês, antes das negociações na COP21. Isso pode ser bom – se firmarem um pacto importante para a redução de emissões, como aconteceu no ano passado – ou ruim, se os dois chegarem a um acordo que trave o tão desejado acordo global.

Sem manifestações?

Paris ainda está tomada pela tristeza por causa dos atentados terroristas do dia 13/11. Flores espalhadas pela cidade – nos locais onde aconteceram os ataques ou em monumentos simbólicos – lembram parisienses, turistas e, agora, todos que estão na capital para acompanhar as negociações da COP21, que o terror está presente. A polícia espalhada pela cidade também.

A capital francesa está em estado de emergência e, por isso, todas as manifestações públicas foram proibidas, mas a ordem não intimidam os mais engajados e, na sexta e no sábado, ativistas foram detidos. A marcha da Mobilização Mundial pelo Clima não aconteceu, mas as proibições do governo não impediram que as organizações da sociedade civil promovessem um ato simbólico, pacífico e de impacto emocional: cerca de centenas de pares de sapatos (entre eles, um de Papa Francisco enviado pelo Vaticano, e também do secretário da ONU, Ban Ki-moon, que mostramos no final deste post) foram espalhados pela Place de La Republique, representando os manifestantes que ali estariam. E juntou gente pra ver (fotografar e filmar) a beleza da manifestação, claro! E a polícia reagiu às aglomerações. Saldo: cerca de 200 pessoas presas.

Uma pena porque o ato era lindo como se pode ver pela foto abaixo, da brasileira Silvia Dias Pereira (que acompanha a COP21). Ela contou, no Facebook, que os sapatos dividiam a cena com as flores depositadas no monumento ao fundo. É de poesia que o mundo precisa.

No final deste post, ainda incluí animação, em vídeo, que explica o que é COP21, em dois minutos.
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Fotos: Divulgação UNFCC/Flickr e Silvia Dias Pereira e Avaaz/Fotos Públicas

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.