Cooperativa amazônica beneficia mel de abelhas nativas sem ferrão

Produzir mel, preservar a floresta e a sociobiodiversidade cabe numa frase só quando a gente fala da Coopmel, a Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia.

Localizada em Boa Vista do Ramos, no Amazonas, reúne hoje 62 integrantes, que trabalham exclusivamente com o mel de abelhas sem ferrão, em especial o mel de Jandaíra da Amazônia – alimento que integra a Arca do Gosto, do movimento Slow Food. Trata-se de um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos e com potenciais produtivos e comerciais reais.

As abelhas não são alimentadas com substâncias químicas, e nem são utilizados agrotóxicos nas proximidades dos meliponários. Ao mesmo tempo, áreas degradadas são recuperadas por plantio de árvores frutíferas nativas, que, o que auxilia na alimentação das abelhas e, com a polinização resultante, na produção de frutos para consumo e venda pelas famílias.

O grupo iniciou suas atividades com a meliponicultura há mais de 15 anos, como atividade para geração de renda, desenvolvida nas próprias casas das pessoas. No começo, em parceria com a Imaflora, a Universidade Federal do Amazonas, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Sebrae, os produtores se organizaram numa associação chamada Acaiá, investindo na capacitação dos integrantes e no desenvolvimento de técnicas de manejo das abelhas e de manipulação do mel.

Com o aumento da produção e do número de integrantes, foi criada a Coopmel. Os cooperados são homens, mulheres e jovens, agricultores familiares da zona rural, localizados em mais de 12 comunidades em Boa Vista do Ramos e em Maués.

Além de ser um empreendimento da economia solidária, que funciona como cooperativa, a Coopmel é também um negócio de impacto – já que preserva a floresta e gera inclusão e renda para os amazônidas -, e se vê às voltas com a superação de alguns desafios: “Somos cooperativa desde 2007, por exigência legal. Aqui em Manaus, os terceirizados vendem [o mel] a mais de R$150,00 o quilo, por ser um produto com características medicinais. Nosso maior problema é a logística, pois existe mercado para o produto e nosso preço é acessível. Precisamos investir em gestão e planejamento estratégico”, avalia Jair Rodrigues Arruda, presidente da Coopmel.

A Cooperativa conta com uma agroindústria de beneficiamento, o Selo do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), além de ser já uma marca relativamente conhecida. Está em fase de reestruturação do modelo de negócio, melhoria logística, estratégia de mercado e também busca obter o Selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para comercializar o mel em outros estados do Brasil. O grupo, que tem o apoio da Prefeitura de Boa Vista do Ramos e da Nordesta Reflorestamento e Educação, participa atualmente do Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia.

Fotos: Divulgação

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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