Contaminação do rio Paraopeba com rejeitos de minério já chega a 90 km de Brumadinho

Contaminação do rio Paraopeba com rejeitos de minério já chega a 90 km de Brumadinho

Uma equipe da Fundação SOS Mata Atlântica está realizando uma expedição ao longo do rio Paraopeba  para monitorar a qualidade da água.

O rio foi atingido pelos rejeitos de minério que devastaram a região de Mata Atlântica, após o rompimento da barragem Córrego do Feijão, da Vale, na cidade de Brumadinho (MG), no último dia 25 de janeiro.

Em parceria com o laboratório de Poluição Hídrica da Universidade de São Caetano do Sul, os profissionais da SOS Mata Atlântica irão percorrer 356 km do Paraopeba, desde o local da tragédia até a Hidroelétrica Retiro Baixo e o reservatório de Três Marias, em Felixlândia, no encontro com o rio São Francisco.

Ontem (04/02), amostras da água revelaram que a contaminação pela lama de minérios já chega a 90 km de Brumadinho. Ela está cheia de um sedimento avermelhado, que a deixa turva.

A turbidez da água é avaliada pela quantidade de partícula sólida em suspensão, o que impede a passagem da luz e a fotossíntese, causando a morte da vida aquática.

Os testes feitos em um ponto próximo a Pará de Minas indicaram que o nível de oxigênio na água está baixíssimo. O volume por litro está em 1.9 miligramas. “Para ter vida na água, peixes ou qualquer outros micro-organismos, para a saúde do rio, nós precisaríamos estar acima de 5 miligramas. O ideal, em um rio limpo e saudável, seria entre 8 e 10 miligramas. Então o rio, infelizmente, continua morto até esse trecho”, explica Malu Ribeiro, coordenadora do programa Água da SOS Mata Atlântica.

O rejeito de minério tem grande concentração de ferro e metais pesados, que asfixiam o rio.

O Paraopeba é um dos afluentes do São Francisco e um dos principais mananciais de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, todavia, desde o acidente, ele está suspenso.

Análise no Paraopeba revela que o nível de oxigênio está muito baixo

Além da contaminação do rio, o Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima) do Ibama também já revelou o tamanho do impacto sobre a vegetação da região. Quase 270 hectares de Mata Atlântica foram destruídos com o rompimento da barragem. Imagens feitas por satélite, antes e após o acidente, apontaram que, algo equivalente a 377 campos de futebol foram devastados.

Não bastassem as centenas de vidas humanas perdidas, a natureza também sofre com mais um crime provocado pela Vale.

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Fotos: divulgação SOS Mata Atlântica/Gaspar Nóbrega

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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