#ConfinaEu: declaração autoritária de presidente resulta em protesto bem humorado nas redes sociais

Não bastava ter assinado um projeto de lei que, se aprovado, pode aumentar a invasão de terras indígenas, a violência e o desmatamento na Amazônia? Não! Como de costume, Bolsonaro ainda tinha que fazer declarações autoritárias e desrespeitosas sobre esses povos. E aproveitou para provocar os ambientalistas também.

Sobre os indígenas disse: “O índio é um ser humano exatamente igual a nós. Tem coração, tem sentimento, tem alma, tem desejo, tem necessidades e é tão brasileiro quanto nós”. Poxa, que cara mais sem noção, sem empatia…

Desta vez, ele não falou das ONGs – e da mamata! -, mas disse que certamente os ambientalistas iriam fazer pressão contra seu projeto. E desabafou: “Vamos sofrer pressões dos ambientalistas? Ah, esse pessoal do meio ambiente, né? Se um dia eu puder, confino na Amazônia, já que eles gostam tanto do meio ambiente. E deixem de atrapalhar o amazônida daqui de dentro das áreas urbanas”.

Sempre que o ouço dizer coisas assim, penso que o melhor seria pararmos de comentar e ignorarmos o sujeito. Mas é impossível, né? E claro que a declaração gerou revolta nas redes sociais. Mas também teve uma resposta bem humorada: a hashtag #ConfinaEu, lançada pelo Observatório do Clima.

Num post em suas redes sociais – eu vi no Instagram, mas também está no Facebook -, a ONG contou o que o presidente falou sobre “o pessoal do meio ambiente” e confessou que gostou da ideia do confinamento na Amazônia. Em seguida, perguntou para seus seguidores: “vocês iriam para onde?”, oferecendo um cardápio de dez sugestões em formato de polaroid:
– Alter do Chão, no Pará,
– Rio Tapajós,
– Alto do Rio Negro, Amazonas;
– Parque Nacional de Anavilhanas, Amazonas;
– Monte Roraima;
– Corredeiras do Tapajós;
– Cristalino, Mato Grosso;
– Parque Nacional da Serra do Divisor, Acre;
– São Gabriel da Cachoeira, Amazonas e
– Rio Urubus, Amazonas.

Onde você gostaria de ficar confinado? Dessas opções, eu escolho o Alto Rio Negro, onde eu ficaria eternamente passeando de barco, mergulhando em suas águas mornas, veria o céu mais estrelado do mundo, a lua mais cheia, e me deleitaria com um mar de vagalumes no meio da noite. Ou o Parque Nacional de Anavilhanas. Ah, mas Alter do Chão é uma boa opção também. Mas eu acho que eu escolheria ficar confinada em alguma aldeia indígena, aprendendo a viver de verdade.

Vc acrescentaria outros lugares?

Por enquanto, as opções para curtir a natureza na Amazônia são inúmeras. O que não faltam são belezas naturais e lugares lindos para admirar e experimentar. Mas se Bolsonaro conseguir colocar em prática seu plano sórdido de desenvolvimento na Amazônia, esses lugares se tornarão desertos, serão devastados como as montanhas de Minas Gerais, e a Amazônia brasileira será apenas cenário de destruição e de dor.

Vamos nos divertir com a hashtag do Observatório do Clima, claro. É necessário e urgente desanuviar! Mas também precisamos nos mobilizar contra tantos absurdos propostos pelo presidente. Pressione os parlamentares. Pressione seu candidato. Pressione Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que, em vez de devolver o projeto para o presidente – como havia declarado no ano passado. Pressione Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que outro dia usou avião governamental para resolver questões pessoais.

Agora, a decisão está no Congresso Nacional. E, de lá, esse projeto não pode sair aprovado!

Abaixo, reproduzo as dez imagens divulgadas pelo Observatório do Clima em seu Instagram. Copie e divulgue vc também. É uma forma divertida de se manifestar e levar adiante as declarações do presidente e nossa indignação.

Fotos: Divulgacão Observatório do Clima

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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