‘Conexão Solidária’ liga mercados a produtores que promovem consumo saudável e qualidade de vida em todo o Brasil

É no Belenzinho, na zona leste de São Paulo, que se estrutura a liga entre empreendimentos da economia solidária e mercados de todo o Brasil. É lá que está baseada a Conexão Solidária, central de comercialização de produtos e serviços que se baseiam nesse tipo de economia.

Seu trabalho, além de conectar pequenos produtores industriais e agrícolas e artesãos a mercados cuja clientela está de olho na relação entre consumo saudável e qualidade de vida os produtos oferecidos por cooperativas e grupos produtivos são orgânicos –, no reaproveitamento de materiais e nas características culturais da produção artesanal, promove uma melhor distribuição de renda para as comunidades de origem desses produtos. Também realiza oficinas de qualificação e desenvolvimento de novos produtos, pesquisas de mercado, sempre buscando inserir esses produtos de modo justo em espaços de consumo pelo país.

A central visita comunidades em lugares remotos do Brasil, buscando conhecer hábitos e atividades, atuando assim também na manutenção da cultura e tradição locais. Segundo estimativas do Conexão Solidária, no país há cerca de 21 mil empreendimentos que atuam respeitando os princípios da economia solidária.

Um outro ponto bacana da atuação da central é a promoção do contato humanizado entre produtores e consumidores. Sem atravessadores, os produtos atingem os grandes centros da região sudeste proporcionando renda justa às comunidades e cooperativas.

O ponto forte hoje são itens de alimentação, como grãos, farinhas, doces, bebidas, açúcar, castanhas, molhos, mas o artesanato e a moda também estão presentes nas estratégias da central.

O maior mercado está concentrado no sudeste do país, em especial nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. “O mercado é esse, mas percebemos que se não trabalharmos permanentemente com a ponta, com as comunidades que fornecem os itens, consolidando a regularidade e a qualidade do produto, elas não conseguem manter-se no mercado por muito tempo”, diz Roberta Procópio, que trabalha na Conexão Solidária há nove anos, com trabalho anterior com a Agência de Desenvolvimento Solidário e Unisóli.

O trabalho com os grupos é cuidadoso, e a representação junto aos mercados não é exatamente comercial, e muito menos paternalista. As oficinas desenvolvidas com as comunidades que passam a distribuir seus produtos pela Central abordam temas como regularidade da produção, padronização, planejamento, como lidar com a sazonalidade e outros temas, de modo a preparar os grupos produtivos para atender de modo planejado e perene às demandas.

Iniciativa tem origem na Agência de Desenvolvimento Solidário

Diante da crise no mercado de trabalho no final da década de 1990, foi criada em São Paulo a Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), buscando ajudar trabalhadores e trabalhadoras a se organizarem coletivamente para ter mais representatividade em novos modos de trabalho e desenvolvimento. Nos chamados arranjos produtivos coletivos e autogestionados, próprios da economia solidária, muitos dos quais já abordei aqui, neste blog, no Conexão Planeta, três problemas foram levantados na época e se colocaram para a ADS: acesso ao mercado, comercialização e capital de giro.

Desse movimento surgiu a ideia de criar uma central de representação e comercialização, que pudesse atuar para minimizar esses gargalos. Nascia ali, em 2010, a Conexão Solidária.

No início, o artesanato foi o foco principal do trabalho. Hoje, embora o centro do trabalho esteja na alimentação, a iniciativa oferece também brindes sustentáveis, cestarias, acessórios, serviços de buffet e outras possibilidades de acesso a produtos e serviços da economia solidária. Além de tudo isso, a central pesquisa permanentemente produtos e mercados que possam se conectar em acordo com as demandas de consumidores.

Em junho, a Conexão Solidária encerrou o mês com dois mil clientes, embora nem todos ativos e frequentes. E segue firme nas conexões. Me encontrei com a Roberta Procópio em Manaus, no estado do Amazonas, durante um Lab que buscou construir soluções para comercialização e logística de produtos amazônicos, sobre o qual escrevi também aqui, no blog. Esse é um dos novos possíveis links no radar da central.

Foto: Divulgação

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Deixe uma resposta