Concentração de CO2 na atmosfera da Terra bate novo recorde histórico

Concentração de CO2 na atmosfera da Terra bate novo recorde histórico

dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico, é um composto químico constituído por dois átomos de oxigênio e um átomo de carbono, daí sua representação química ser CO2. O dióxido de carbono é essencial à vida no planeta, entre outras funções, é fundamental para a realização da fotossíntese pelas plantas.

Então por que nos últimos anos tanto se fala sobre os efeitos maléficos do CO2?

O problema é que, nunca antes na história da humanidade, emitimos tanto gás carbônico na atmosfera. Não de maneira natural, mas através das atividades do homem, sobretudo, a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o diesel. E a principal consequência disso é o aumento da temperatura da atmosfera da Terra, o fenômeno conhecido como aquecimento global – o CO2 é apontado por cientistas como um de seus principais responsáveis.

Acontece que, ao ser liberado, o dióxido de carbono não se dissipa rapidamente, pelo contrário, fica aprisionado durante séculos na atmosfera. Ou seja, mesmo que parássemos todas as emissões neste momento, o CO2 ainda estaria presente por centenas de anos.

Recorde histórico

No último dia 10 de fevereiro, o Observatório Mauna Loa, da Agência Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA), localizado no Havaí (referência global nas medições climáticas), registrou a maior concentração da história de CO2 – 416.08 partes por milhão (ppm).

Concentração de CO2 na atmosfera da Terra bate novo recorde histórico

Esse índice vem aumentando progressivamente ano a ano, década a década. Em 2000, a média semanal era 390.67 ppm. Em 2016, pela primeira vez desde que essas medições começaram a ser feitas, esse número rompeu a barreira dos 400 ppm.

Especialistas acreditam que a última vez que o carbono no ar atingiu 400 ppm tenha sido há 3,5 milhões de anos, no Plioceno, quando os ancestrais dos seres humanos ainda viviam em árvores e a temperatura no planeta era 3ºC mais alta e o nível do mar 20 metros mais elevado do que hoje.

Concentração de CO2 na atmosfera da Terra bate novo recorde histórico

Ao tomar conhecimento da notícia, a ativista sueca Greta Thunberg comentou em seu Twitter: “O mais triste disso é que o fato não será manchete nos jornais”. E ela foi além. “E basicamente ninguém entende o significado completo disso. Porque estamos em uma crise que nunca foi tratada como uma crise”, lamentou.

O teor de CO2 na atmosfera varia ao longo do ano. No outono do Hemisfério Norte, ele chega aos valores máximos, devido à queda das folhas das árvores nas florestas temperadas (isso faz diferença porque a maior parte das terras emersas do globo e, portanto, das florestas, está naquele hemisfério) – lembrando, que as árvores absorvem uma quantidade gigantesca de gás carbônico da atmosfera. Na primavera, fica no mínimo, por causa do carbono sequestrado pela rebrota (veja outras explicações neste texto, do Observatório do Clima).

Segundo dados do Copernicus Climate Change Service, janeiro de 2020 foi o mais quente da história da Europa e o mês com as temperaturas globais mais altas, superando 2016, outro recorde. Os termômetros europeus indicaram temperaturas 3,1oC acima da média registrada para o mês de janeiro, no continente, entre os anos de 1981 e 2010 (leia mais aqui).

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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