Como curtir a natureza em família? Mamães adeptas do Instagram dão sugestões simples e inspiradoras


Logo que começamos nossas pesquisas sobre criança e natureza, em 2011, nos deparamos com um dado surpreendente em uma pesquisa da Children and Nature Network que apontou o Brasil entre os três países cujas crianças exploram a natureza com menos frequência. Com um detalhe: nosso país é o que tem a maior biodiversidade do planeta!

No percurso do programa Ser Criança é Natural, as redes sociais nos conectam com muitas iniciativas, famílias e educadores. Algumas famílias que seguimos no Instagram (rede social para compartilhamento de fotos), por exemplo, nos mostram inúmeros momentos e experiências bacanas do lado de fora e em contato com a natureza. Alguns posts têm nos tocado tanto que resolvemos apresentar alguns perfis, aqui. Eles revelam como essa relação é possível, acessível e prazerosa. Conversamos com cada mãe – geralmente são elas que mantêm esses perfis ativos – sobre as vivências da família e pedimos que indicassem sugestões para que mais famílias incluam mais natureza em seu cotidiano. Todas são muito inspiradoras como você pode ler abaixo.

Acreditamos que, assim, juntos, podemos mudar de posição no ranking da Children and Nature Network. Você nos ajuda? Agora, vamos aos perfis, então…

“Troque qualquer programa convencional por um dia no parque, na praça, na praia, por uma tarde de vento”

@minhocos, por Ingrid Leffer

Até logo Paranavaí! Levando o cheiro de hortelã da horta da vovó pra casa! ❤️

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Ingrid sempre morou em São Paulo e sentia necessidade de estar perto da natureza. Quando engravidou, ela e o marido decidiram se mudar para Florianópolis. Kalu nasceu na ilha e seu primeiro passeio foi para a praia do Matadeiro. “Nesse dia foi tão tranquilo que veio um sentimento de independência. Percebi que poderia levar meu filho comigo para todas as aventuras que fazia antes do seu nascimento”, contou Ingrid. Ela revelou também que a forma como Kalu se relaciona com a natureza faz despertar nela sensações que estavam adormecidas. Seja pela maneira como ele observa a copa das árvores balançando ao vento, como sente os pingos de chuva ou caminha sentindo a terra seca ficar úmida.

O rio fluindo dentro de nós! ❤️

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Dica do @minhocos: Sabe daquele programa convencional de fim de semana em algum shopping? Troque por um dia no parque, na praça, em uma horta, na praia, por uma tarde de vento! Em vez de uma tarde vendo televisão, desenhos ou brinquedos eletrônicos, que tal experimentar pedras e plantas com diferentes cheiros, texturas? Brinque com água, com gelo. Os estímulos que a natureza tem pra oferecer estão ali, ao nosso alcance. São os mais simples de encontrar, os mais baratos e nos permitem ter momentos maravilhosos em família.

“Perca seus medos! Teste o ar livre sem paradigmas… e, às vezes, sem rumo”

@Shoppingsonachuva, por Fernanda Duarte

Fernanda sempre morou na cidade, trabalhou bastante e, apesar de gostar de verde, é bastante urbana e gosta do concreto. Depois que Bento nasceu, ela sentiu que precisava de ar, de sair e sentir o sol. E também de mostrar o mundo a seu filho, estimulá-lo para perceber as intercorrências do mundo externo. “Eram necessidades que batiam forte em mim, afloravam, acima de tudo, no meu instinto materno”, contou.

Café! #viagemcombebe #hotelfazenda #viajandocombebe #passeiocombebe #bebesenatureza #sercriancaenatural

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Quando Bento tinha nove dias, Fernanda decidiu sair em busca de sol. Neste dia, a primeira coisa que percebeu foi o olhar maravilhado do pequeno ao ver o efeito da luz solar atravessando as copas das árvores. “Deitei ao lado do seu carrinho e percebi como realmente é lindo ver a luz solar se infiltrar pelas árvores. Aí já começou uma relação que não podia mais se quebrar. Qualquer mãe que percebe esse primeiro olhar maravilhado de um filho quer criar oportunidades para oferecer sempre experiências que o deixem assim, extasiado!”.

Conhecendo uma nova pracinha #passeiocombebe #pracinhaspublicas #bebesenatureza #sercriancaenatural

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Ela, então, incluiu passeios matinais com Bento em sua rotina diária, todas as manhãs. “Criei uma meta: a cada dia, apresentar locais, pessoas e espaços diferentes ao Bento. Percebi que o efeito natureza + cidade + pessoas + arte faz um bem enorme ao meu filho e a mim!”.

Dica de @shoppingsónachuva: Perca seus medos! Teste o ar livre sem paradigmas. Às vezes, dá preguiça sair com o bebê, claro! Mas acho que cada um encontra força para driblar a preguiça e estabelecer prioridades! Eu, por exemplo, tenho preguiça de ir à academia fazer ginástica. Já tentei várias vezes, mas depois de uns meses desisto. Agora, com o Bento, o olhar ávido dele por experiências me dá motivação. Então, todo dia saio de casa com ele pra passear! Às vezes, sem rumo. Outras vezes, só pensando em tomar um café. Mas nessa saída sempre vai ter, no mínimo uma meia dúzia de árvores e plantas para meu filho tocar e experimentar coisas novas. E, assim, a gente cria hábito e fica confiante.

“Conecte-se com a natureza! É uma forma de olhar para nosso interior, nossa essência, e de mostrar esse caminho para as crianças”

@rosanecastilhos

Desde pequena, Rosane teve na natureza um lugar para se restaurar de dias pesados ou sentimentos negativos. Muito criança Ela aprendeu com os pais a reconhecer pássaros e árvores, sentir cheiros de ervas.

A foto não é de hoje, mas esse ritual é repetido pelo menos uma vez por semana e eu queria falar sobre ele. Recolhemos folhas, galhos, flores, minhocas, formigas, borboletas, joaninhas, cogumelos, pedras, terra, penas e mais uma pá de coisas lá de fora, os animaizinhos devolvemos pra natureza, já as folhas a gente leva para o lado de dentro: enfeitamos a casa, se forem ervas fazemos chá, temperos ou fazemos um ramalhete e colocamos para secar, as vezes elas viram comidinha de brincadeira. Em cada folha observamos tamanho, textura, cheiro, cor, se é úmida ou não, se está inteira ou não, de que árvore ela é, pra que servem, etc e etc, e muitas vezes a gente só as curte sem caracterizá-las, apenas sentimos e nos conectamos com a natureza através delas. Confesso que dá uma bagunça daquelas e suja uma sala inteira, mas vale MUITO a pena. Com os animaizinhos fazemos esse mesmo processo de observação e ADMIRAÇÃO e os devolvemos para seu lar em sinal de respeito a vida e a todas as espécies. Aprendemos ciências e biologia, mas chamamos essa ação de aula de vida. Depois fazemos os registros de tudo o que aprendemos numa folha, ou no quadro negro, ou numa argila, numa massinha de modelar (…) a Raquel escreve um texto e colocamos no nosso livro da vida, e quer saber? as vezes não registramos absolutamente nada em livro algum, só na alma, no coração e na memória e isso é tão bom. Todo o fazer é um aprendizado, todo o viver é registrado em algum lugar dentro de nós! . . . #amor #filhos #simple #creativekids #simplychildren #slowlife #simplelife #brincar #brincadeiranatural #aprendizado #waldorflife #waldorfinspired #wildanfreechildren #homescholling

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Seus filhos chegaram na família – por adoção- numa manhã, e a tarde já estavam todos do lado de fora. Desde o início já foi amor pela vida que pulsa na natureza. “Percebo que eles aprendem muito com esse contato e desenvolvem habilidades que achamos de suma importância, no contato com a lama, a terra, as texturas, o subir e descer das árvores, das pedras, o contato com a água, com os bichos… tudo é amplamente explorado e traz um retorno muito bonito, restaurador, e afetivo importantíssimos para o desenvolvimento cognitivo, espiritual e humano”.

Dica de @rosanecastilhos: Em tempos que muitas crianças e adolescentes ficam horas dentro de casa, em frente a telas, não vejo outra alternativa para alcançarmos as mudanças tão necessárias, e elas não dizem apenas a respeito do cuidado com o planeta, elas dizem a respeito do cuidado com o outro, consigo mesmo, do cuidado com as relações. Se conectar com a natureza é uma forma de olharmos para nosso interior, é uma forma de encontrar a nossa essência e a nossa verdade e na minha opinião isso precisa ser desenvolvido e ensinado desde os primeiros dias de vida!

“Na natureza, as crianças são as melhores guias; leve-as até ela e deixe que indiquem os próximos passos”

@ao.redor.do.sol, por Paula Mastrocola (a foto deliciosa que ilustra este post é do seu Instagram)

A família vive em São Paulo, mas sempre foi adepta do campismo. Por onde viajam, acampam. Quando a filha nasceu, nada mudou. Inclusive, combinaram que a cada “Mesversário” da pequena, estariam acampando em um lugar diferente. “Ao fim de dois anos ela já tinha um repertório de áreas naturais bastante diversificado, contato com climas diversos, com mar, rio, cachoeira, montanha, já conhecia diversos animais que ela mesma tinha visto em seus habitats naturais” ,nos contou Paula.

"sabe mamãe, eu adoooro essa folhinha" #3 #liquens

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“Quando na natureza/do lado de fora, minha filha fica sempre muito mais calma e concentrada, mesmo nos dias em que passa brincando e correndo ao ar livre. Percebo que calma não tem a ver com estar quieto. Uma criança pode ser extremamente ativa e calma ao mesmo tempo. Quando ao ar livre ela consegue ficar brincando sozinha, coisa que aconteceu raríssimas vezes em casa. Talvez porque quando estamos em meio à natureza percebemos que na verdade não estamos sozinhos.”

Paula nos contou sobre as aprendizagens que a filha tem com a natureza, especialmente por ser algo que se aprende vivendo, experimentando. “Ela aprende muito pelas experiências que tem lá fora, só de poder observar com os próprios olhos, sem um filtro (seja ele um livro, uma tela, uma conversa). E sinto que são aprendizados muito profundos, que se alojam em lugares que eu como observadora não consigo acessar, mas que fica ali guardado dentro dela para ela usar quando uma nova conexão se formar em sua cabecinha.”

Dica de @ao.redor.do.sol: Na natureza, as crianças são os melhores guias, e os mais criativos também. Então se nós, adultos, já perdemos o fio da meada e não sabemos por onde começar, vale investir no que a criança pode nos ensinar, e ela tem muito a ensinar. A nós cabe apenas começar, dar o primeiro passo, levando-as a uma área natural, o mais natural possível. E permitir que elas guiem os próximos passos.

“Ocupe a cidade! Descubra perto de sua casa aquele lugarzinho especial para colocar o pé do bebê na grama”

@ocupababy, por Lígia Hsu

Lígia, sempre gostou de estar do lado de fora. Quando Miguel nasceu, o pediatra orientou ficar em casa nos primeiros meses. Ela decidiu sair. Fez bem para a saúde mental da mãe e para as descobertas do Miguel. “Lugar fechado não era opção”, nos contou Ligia. No primeiro passeio ao Parque Ibirapuera com 2 meses, Miguel ficou encantado com as árvores. Esse foi o começo de muitas explorações de parques e praças da cidade, e até mesmo o jardim da cafeteria.

“Percebo que o Miguel aos 18 meses tem uma desenvoltura bem bacana ao subir e descer de pedras, morrinhos de terra, tronco de árvores, consequentemente sobe e desce do sofá, das cadeiras e sobe escadas com bastante agilidade. Ele manipula alguns objetos com maior destreza e tem mais cuidado ao lidar com as plantas e os animais que são mais delicados. Isso um tablet não ensina”.

Lugares lindíneos de São Paulo. #bebe #saopaulo #ocupababy #encantonatural

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Dica de @ocupababy: São Paulo tem a fama injusta de selva de pedra, se prestarmos atenção descobrimos que a natureza pulsa entre os carros e os prédios, temos muitas praças que estão em processo de revitalização, muitos parques e muitas iniciativas de particulares para que o verde se sobressaia no meio de tanto cinza. Minha dica é: ocupe a cidade! Descubra perto da sua casa aquele lugarzinho especial para colocar o pé do bebê na grama. Procure aquela hortinha comunitária do bairro pro bebê poder mexer na terra. Vamos criar as oportunidades para que nossos filhos tenham acesso à natureza escondida no meio do caos de uma grande cidade.

Fotos: dos perfis das mamães e famílias no Instagram

Edição: Mônica Nunes

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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