Como ajudar os refugiados no Brasil e no mundo

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A Síria está em guerra desde 2011, mas foi a imagem do menino sírio morto numa praia da Turquia que colocou os refugiados – não só sírios, mas do mundo todo – em nossas mentes de um jeito que será difícil esquecer. Essa cena chocante fez muito mais gente perceber a dimensão da tragédia diária que atingiu níveis recordes: o deslocamento forçado por causa de guerras, perseguições e violações dos direitos humanos.

O Brasil abriga cerca de 8 mil refugiados de 81 nações diferentes (segundo a Agência da ONU para Refugiados). Só no ano de 2014, recebemos mais de 12 mil solicitações de refúgio. São quase 60 milhões de pessoas de pessoas deslocadas em todo o mundo: 52% são crianças e jovens com menos de 18 anos de idade. E a perspectiva é que esses números aumentem, também devido às mudanças climáticas (leia Os refugiados somos todos nós).

Por tudo isso, não dá para ficar de braços cruzados. E há inúmeras formas de ajudar: a mais fácil talvez seja doar dinheiro. Não importa o montante, nem a frequência, todas as instituições (nacionais e internacionais) que atuam em crises como essa, precisam e facilitam tudo pelos sites. De roupas, itens de higiene e outros objetos, algumas precisam também. E você ainda pode doar seu tempo, como voluntário: as possibilidades também são variadas. Sem contar que ajudar também pode significar aprender um novo idioma ou fazer um curso de culinária… com professores refugiados.

A boa informação é um aliado importante nesse cenário. Busque fontes de confiança e pesquise mais profundamente quando tiver qualquer dúvida. Assim, você compartilha apenas notícias de qualidade e iniciativas inspiradoras, contribuindo para esclarecer equívocos e ampliar a rede humanitária. E quem sabe você ainda consegue a proeza de ‘tocar’ quem ainda não se incomoda com esse drama planetário.

Engaje amigos, a família, colegas de trabalho… Tem muita gente que não sabe como ajudar. Esta lista abaixo, pode ser um bom começo. Espalhe! E se você conhece alguma iniciativa interessante que vale entrar nesta lista, é só comentar abaixo ou enviar pra nós por e-mail.

No Brasil…

ACNUR – AGÊNCIA DA ONU PARA REFUGIADOS
A Agência da ONU para refugiados acolhe e encaminha mais de 51 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade pelo mundo e sempre precisa de apoio financeiro, portanto, doações são sempre bem vindas. Atualmente, as mais urgentes são para campanhas na Síria e no Congo.

Também aceita a adesão de voluntários e mantém página com informações sobre vagas de trabalho e estágios em sua sede ou escritórios.

Você ainda pode se envolver em várias outras ações da instituição como eventos em reconhecimento aos refugiados e a quem se dedica a ajudá-los, tais como o Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho de 2001.

A iniciativa Passe a Palavra é outra atividade interessante proposta pela Acnur. Trata-se de eventos especiais que qualquer pessoa pode organizar: uma semana para discutir temas sobre refugiados (na escola, no bairro onde mora, no condomínio, no parque…), festas com exibição de filmes temáticos, sempre com a presença de alguma pessoa que vivenciou guerras e conflitos armados.

Com a campanha Volta do Mundo em Uma Mochila qualquer pessoa pode enviar mensagens de esperança para crianças vitimas de conflitos e guerras. Agora, para as crianças refugiadas da Síria, especialmente. Essa iniciativa foi lançada no Brasil, este ano, com a Escola Municipal Friedenreich, no Rio de Janeiro, que recebeu ‘a visita’ da mochila gigante criada pela ACNUR para coletar essas mensagens e presentes simbólicos – bonecas de pano – que serão enviados para crianças sírias refugiadas na Jordânia, como as da foto desta matéria.

O Manual de Proteção aos Apátridas é outra iniciativa importante da Acnur que vale ler e disseminar.

ADUS – INSTITUTO DE REINTEGRAÇÃO DE REFUGIADOS
Foi criado em 2010 por três amigos pesquisadores e especialistas no tema refúgio: um deles, neto de imigrante, que fugiu de seu país. Recebe doações em dinheiro e também a adesão de voluntários.

Atua na conscientização do público para amenizar o preconceito, além de contribuir para criar postos de trabalho e vagas em cursos para pessoas nessa situação. Mantém diversas iniciativas – realizadas com o apoio de parceiros e voluntários – como o projeto ApadrinhAdus – Reconstruindo Histórias, que incentiva a visita a crianças refugiadas, além de programas culturais que levam grupos de refugiados para assistir jogos de futebol, teatro, cinema, ir a museus, promover contação de histórias etc. Também oferece cursos de português e capacitação para ajudar na inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. E ainda criou cursos ministrados pelos próprios refugiados como, por exemplo: intensivo de francês para turismo e hotelaria; curso de culinária que, em sua segunda edição, versou sobre comida síria, ministrado por Muna Darweesh, refugiada formada em literatura inglesa; além dos cursos de idiomas do Abraço Cultural (noticiamos, aqui, no Conexão Planeta), também em sua segunda edição, com o apoio do coletivo Atados e da Bibliaspa.

CÁRITAS DE SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO
No Brasil, esta organização internacional tem unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro, que trabalham em parceria com a Acnur. Na capital paulistana, mantém um Centro de Acolhida para Refugiados, onde atendeu mais de 800 sírios este ano; em 2014, foram 6.629 refugiados de 87 nacionalidades diferentes. Recebe doações em dinheiro, mas também recebe doações de cobertores, leite em pó e produtos de higiene. Também é possível acompanhar suas ações pela página no Facebook.

Desde 1976, a Cáritas RJ realiza ações de proteção, assistência e integração local de refugiados, também para outros 19 estados. Além da parceria com a Acnur, representa a sociedade civil no Comitê Nacional para os Refugiados. Recebe doações em dinheiro e também colchões, alimentos não perecíveis, roupas e fraldas. Mantém programa de padrinhos para refugiados, especialmente os mais vulneráveis como crianças: inscrições por e-mail. Mantém blog e página no Facebook, com informações completas sobre suas atividades e histórias de pessoas refugiadas.

MISSÃO PAZ 
É desenvolvido por missionários de São Carlos, com grande vivência junto a imigrantes, migrantes e refugiados, que acreditam “na riqueza dos encontros culturais e na cidadania universal”. Seu objetivo é acolhê-los e ajudar a integrá-los na sociedade, por isso, oferecem assistência médica, jurídica, cursos de português e profissionalizantes (construção civil, beleza, moda, serviços domésticos e de varejo) e educação básica para as crianças. Recebe doações em dinheiro ou produtos e aceita a adesão de voluntários.

No mundo…

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS 
Esta organização humanitária internacional foi criada por médicos e jornalistas em 1971 e atua em mais de 60 países pelo mundo, levando ajuda médica a vítimas de epidemias, fome, guerras e conflitos armados, desastres naturais e situações de emergência.

Tem atuado firmemente na assistência aos refugiados da Síria e de outros países em guerra e também treinado pescadores tunisianos para salvar os náufragos no Mediterrâneo. Depende de contribuições em dinheiro (pelo link acima) para manter esse trabalho. Mas também aceita a adesão de voluntários e ajuda para divulgar suas atividades e campanhas de doação.

UNICEF – AGÊNCIA DA ONU PARA A INFÂNCIA
Tem inúmeras frentes de trabalho: contra a Aids e pela proteção das crianças indígenas, entre outras. Mas, neste momento, grande parte de seus esforços estão concentrados na proteção e garantia dos direitos fundamentais das crianças nos campos de refugiados pelo mundo. E esta semana, em sua página no Facebook, provocou seus seguidores: “Ficar chocado não é o suficiente. O choque tem que ser seguido de ação”.

A mensagem faz parte da campanha para aumentar as doações em dinheiro que serão destinadas à compra de cobertores e sachês de micronutrientes para atender as crianças durante o inverno e também para imunização contra sarampo.

INTERNATIONAL RESCUE COMITTÉE
Esta é uma das poucas ONGs internacionais que atuam nas ilhas gregas para onde seguem muitos refugiados todos os dias. Recebe doações em dinheiro que são destinadas à compra de alimentos especiais para crianças e idosos desnutridos, kits de higiene e vasos sanitários.

SAVE THE CHILDREN  
Desde 2014, esta organização já amparou mais de 17 milhões de crianças. Nesta crise – que é a pior para a Europa desde a Segunda Guerra Mundial -, atua em países como a Síria, de onde famílias inteiras e crianças sozinhas estão fugindo, ou em outros, que estão nas rotas de fuga ou são o destino final dos refugiados como a Turquia e a Itália.

Em seu site, a Save The Children explica a gravidade da situação dessas crianças: “Elas estão assustadas e muitas têm testemunhado horrores indizíveis. Nossas equipes estão trabalhando em toda Europa e nos países dos quais essas pessoas estão fugindo (…). Desde o início do ano, mais de 350 mil pessoas fizeram a perigosa travessia pelo Mar Mediterrâneo. Só na Itália, 7.600 crianças chegaram sozinhas, ou seja, sem a companhia dos pais ou de qualquer outro adulto”.

Você pode doar dinheiro pelo site da instituição.

ANISTIA INTERNACIONAL
Fundada em 1961, está presente em mais de 150 países, realizando ações e campanhas pelos direitos humanos e pela proteção de refugiados no mundo. Reúne mais de sete milhões de apoiadores. Aceita contribuições financeiras, que podem ser feitas pelo site.

Para entendermos melhor a crise (e a emergência) humanitária no mundo, a Anistia listou cinco ações importantes para ajudar os refugiados sírios. E destaca, em seu site, que, no dia 30 deste mês, representantes de governos do mundo todo se reunirão em Genebra, para encontro anual do Comitê Executivo do Comissário Superior de Refugiados da ONU, no qual discutirão a proteção internacional de refugiados.

Foto: Wikimedia Commonns

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

11 comentários em “Como ajudar os refugiados no Brasil e no mundo

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  • 26 de Fevereiro de 2016 em 5:42 PM
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    AS FRONTEIRAS MORAIS DO FUTURO

    Boa-noite! queridos irmãos.

    Alegoricamente, pode estar ocorrendo na Europa atual uma alteração na composição dos elementos que delimitam as fronteiras étnicas do continente. Centenas de milhares de pessoas em regime afoito e ininterrupto, do Oriente Médio e Norte da África principalmente, abandonam seu solo natal encharcado de sangue e violência, e invadem terras estranhas para se livrarem do medo e da perseguição e continuarem vivas. São refugiados que trazem consigo além da roupa do corpo e alguns pertences, a esperança por dias melhores, se espalhando por terras europeias.

    Num paradoxo, o estado de guerra e ódio, que jamais abandonou o coração do homem, está fazendo misturar à vida e à cultura consolidadas de muitos países europeus, um contingente humano com características gerais bem diferentes. Estarão esses refugiados com suas línguas nativas, cultura, religião, hábitos e costumes contribuindo para o aparecimento dos germes de uma nova ordem social futura? Esse movimento de massas humanas pelo planeta estaria obrigando nações desenvolvidas e ricas, historicamente dominadoras, a exercitarem a humana solidariedade para com os desgraçados? São meras reflexões.

    Nós espíritas sabemos que encarnados e desencarnados formam uma única humanidade. E que, embora os encarnados sejam os protagonistas das ações que fazem avançar ou estagnar o mundo, o plano espiritual superior, amparado pela alta justiça, no que tange ao progresso humano, elabora medidas para efetivar os avanços necessários no tempo certo, e homens, comunidades e povos, sob inspiração, concretizam essas medidas.

    Ainda no campo das reflexões alegóricas, as linhas que demarcam os territórios dos países europeus estariam começando a ser sutilmente “apagadas” pelos dedos de Jesus, o coordenador do nosso planeta? Creio que Jesus não desistirá, apesar da rebeldia humana, da sua decisão de tocar a alma dos homens, fazendo-os olhar com brandura uns para os outros, enquanto Deus aplica as suas Leis.

    Assim que as fronteiras terrestres, num futuro auspicioso, deixarem de ser impeditivas para os homens, os espaços aéreos e marítimos hoje controlados pela mira dos mísseis serão também livres e responsavelmente frequentados pela humanidade unida e pacífica, e a Terra será outra e de todos.

    O homem, com o seu livre-arbítrio, julga poder tudo. Tem agido com sanha incontrolável ao longo dos séculos, utilizando o orgulho, o egoísmo e a ambição para conseguir o que quer. Nessa cegueira não consegue ver, objetivamente, a relação entre as suas ações e as consequências desastrosas que afetam a sua existência. É indiferente aos manuais de orientação espiritual que a humanidade tem registrado através dos milênios, mostrando que a fraternidade é um bem essencial para a união e a paz na Terra.
    A lei universal de causa e efeito que permeia a vida dos homens se manifesta agora e sempre, em resposta às suas ações. Mas, para muitos, parece não haver uma força descomunal e branda que dirige o mundo. Por habitá-lo e serem livres, os homens pensam que tudo é deles e que por isso não precisam prestar contas. Então dominam, oprimem, dilapidam, perseguem, torturam, matam, provocando desequilíbrio geral.

    Contudo, nestes tempos chegados, a Divina Vontade do Deus único começa a se impor sobre os destinos da rebelde e ingrata população da Terra para que as novas fronteiras que distinguirão os povos do futuro sejam apenas alinhavadas pelo traço moral. O amor ligará os seres, que respeitarão as nuances próprias de indivíduos e coletividades. O preconceito, o culto à pátria, o orgulho de raça, o exclusivismo de crença terão desaparecido. E o derramamento de sangue será o horror que os homens farão questão de esquecer para sempre.

    Para tanto, as ordens divinas já foram expedidas e o tempo é de mudanças inapeláveis, pois o arbítrio desnaturado do homem tem limites controlados pela justiça de Deus.

    O que ocorre hoje na velha Europa, diferente do que já ocorreu em outras épocas e em outros lugares, terá algo a ver com essas reflexões? Ou estas não passam de mera fantasia?

    Claudio Bueno da Silva

    Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/as-fronteiras-morais-do-futuro/#ixzz41CuRcvy6

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