Como a curiosidade animal começou


Eu era criança e meus pais me levaram para brincar num parque. Vi uma ‘coisa’ no chão e logo peguei para tentar descobrir o que era. Não lembro muito bem dos detalhes, mas sei que aquilo me pareceu muito interessante. “Mãe, olha só o que eu achei!”, gritei. Ela ficou horrorizada e me mandou soltar a ‘coisa’ imediatamente. Na verdade, eu estava com uma cobra nas mãos e não tinha nenhuma noção do que estava acontecendo, nem do perigo que corria. Eu era só um garoto que tinha encontrado uma ‘coisa’ legal e queria mostrar pra alguém.

Após esse evento, meu quarto começou a ficar repleto de livros e mais livros sobre bichos e, quando meus pais podiam me levar para passear, eu sempre pedia pra ir ao zoológico. Com o tempo, a paixão pelos bichos foi crescendo e se tornou uma obsessão. Decidi estudar Biologia. Depois de me formar, comecei a trabalhar como guia no Pantanal e na Amazônia, onde aprendi bastante sobre a natureza. Mas, após três anos vivendo no meio do mato, era hora de procurar outros ares.

Voltei para São Paulo, mas o interesse pela vida selvagem nunca me deixou. Após algum tempo procurando emprego, fui chamado para trabalhar no site da revista National Geographic Brasil. Um dia, na redação, que ficava na Editora Abril, um dos repórteres publicou a foto de um panda para divulgar uma reportagem sobre ursos nas redes sociais da revista. Após algum tempo, Kátia Arima, minha editora, falou comigo: “Fábio, tem muita gente perguntando se panda é urso no Facebook. Você pode entrar lá e responder?”.

Quando olhei os comentários do post, fiquei meio preocupado. Tinha até gente falando que o panda era um felino (a mesma família do gato-doméstico). Expliquei, então, que existe o panda-vermelho (foto que abre este post), o único representante da família Ailuridae, que é mais próximo do guaxinim do que dos ursos. Já o panda-gigante (foto no final do post) pertence à família Ursidae, a mesma do urso-polar, urso-pardo, urso-negro e outros ursos. Respondi a todas as perguntas, desliguei o computador e fui pra casa.

No dia seguinte, Kátia falou comigo novamente:
– Fábio, o que você acha de termos um blog no site pra falar de animais, contar curiosidades, com uma linguagem mais informal?
– Acho bem legal, Kátia!
– Você não quer fazer?

Aceitei na mesma hora! E, assim, surgiu o Curiosidade Animal, um espaço no qual eu falava de curiosidades e esquisitices do mundo animal com muita informação e fotos. Passaram-se quase 5 anos e, agora, o blog mudou de casa. A partir de hoje, passa a integrar a rede do Conexão Planeta! Estou muito animado e agradeço à Mônica Nunes, que é uma de suas editoras, pelo convite.

Nos vemos no próximo post! Mas, antes de terminar, eis algumas informações sobre as duas espécies de pandas que citei no texto:

O panda-vermelho (Ailurus fulgens), que introduz este post, habita florestas de bambu, seu principal alimento. O desmatamento, a proximidade com os seres-humanos e a caça ilegal são ameaças antigas. Mas o crescimento do turismo, em algumas regiões, vem aumentando ainda mais a pressão sobre a espécie, que é considerada ameaçada de extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês).

Confinado a pequenas florestas de bambu no centro-sul da China, o urso-panda (Ailuropoda melanoleuca), abaixo, saiu da categoria de espécie ameaçada de extinção da IUCN (Lista Vermelha) em setembro deste ano, como o Conexão Planeta divulgou. Graças a esforços do governo chinês, que investiu em proteção de florestas e reflorestamento, a espécie agora é considerada vulnerável.

Leia também:
Girafa entra para a lista vermelha das espécies ameaçadas de extinção. E não está sozinha 
Vendidos como cação, tubarão e raia (ameaçados de extinção) vão parar no prato dos brasileiros 
Ameaçado de extinção, periquito cara-suja volta a se reproduzir na Serra de Baturité, no Ceará
Arca de Noé da extinção: fotógrafo faz arquivo digital de animais ameaçados de desaparecer 

Fotos: Mathias Appel/Public Domain Dedication (panda vermelho) e Martha de Jong-Lantink/ Creative Commons

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Um comentário em “Como a curiosidade animal começou

  • 20 de dezembro de 2016 em 6:15 PM
    Permalink

    Bem vindo Fábio :)

    Essa polêmica sobre a classificação dos pandas vem de longe afinal, são ursos um tanto quanto singulares, dezenas de artigos foram publicados sobre o tema, taxonomistas o “relacionaram” inicialmente com os ursos, posteriormente com o Ailurus fulgens e, mais tarde, cientistas chegaram até a criar um gênero exclusivo para a espécie, o Ailuropoda. Hoje ele é novamente classificado como Ursidae, muito graças ao trabalho de Stephen J. O’Brien, publicado em 2005 na Nature. No fim foi a tecnologia empregada nos estudos de filogenia molecular quem desvendou o mistério, ao menos por enquanto.

    Resposta

Deixe uma resposta