Como 4 cervejas podem mudar o mundo

Você sabia que 51% dos empreendedores brasileiros são negros e que o mercado potencial movimentado por eles chega a R$ 800 bilhões por ano? Apesar disso, a grande maioria está literalmente fora do radar do ecossistema de apoio financeiro e técnico a startups, que são empresas, geralmente do campo da tecnologia, que trazem inovação para diversos campos da sociedade.

Muitos destes empreendedores negros, a maioria vivendo em regiões periféricas dos grandes centros urbanos, sequer se reconhecem como tal e olham o mundo das startups como algo inalcançável, que não lhes pertence.

Foi para desafiar este estado de coisas e, de certa forma, “hackear” o sistema por dentro que a empreendedora Maitê Lourenço criou a BlackRocks Startups, uma iniciativa para garantir que mais negras e negros estejam inseridos no ecossistema de inovação e tecnologia. É uma proposta tão inovadora e disruptiva que a Maitê já recebeu vários reconhecimentos, como o prêmio Veja-se, na categoria Diversidade, e o TroféuInspiração, dado pelo Caldeirão do Huck, além de outros.

Mas por que estou falando deste tema em um espaço dedicado a ideias sobre mobilização e engajamento? Porque a BlackRocks está testando novas formas de participação que podem inspirar propostas semelhantes. Além de buscar apoios junto a investidores, também abriu espaço para que pessoas físicas possam dar sua contribuição para viabilizar a iniciativa e participar no seu desenvolvimento.

Para isso, conta com uma parceria com a plataforma de crowdfunding Benfeitoria para abrir um canal de financiamento coletivo recorrente. Ou seja, em vez de uma única contribuição, os apoiadores darão seu apoio todos os meses e, com isso, garantirão a manutenção básica da iniciativa.

Sem dúvida, é um desafio, porque a contribuição recorrente para projetos específicos ainda não é tão comum no Brasil. Por outro lado, é uma grande oportunidade para os financiadores participarem ativamente do desenvolvimento e do dia-a-dia dos projetos apoiados. Uma contribuição de R$ 40 por mês, que mal pagaria quatro garrafas de cerveja, pode fazer uma enorme diferença para os projetos apoiados, caso multiplicado por apenas 100 pessoas, por exemplo.

E esta diferença é ainda maior quando pensamos no caráter disruptivo de iniciativas como a BlackRocks. Ou seja, é uma cadeia de alto impacto que pode ser maximizada enormemente com a participação das pessoas. Aliás, se você quiser apoiar e participar do desenvolvimento da BlackRocks, visite aqui o site do crowdfunding naBenfeitoria.

São quatro garrafinhas de cerveja que podem ajudar a mudar o mundo!

Foto: Divulgação/Programa Caldeirão do Huck, TV Globo

Jornalista, com mestrado em relações internacionais, é especialista em temas ligados à mobilização e engajamento em causas de impacto social. Morou oito anos no Peru, de onde conheceu bastante da América Latina. Trabalhou em organizações como Oxfam GB, Purpose, Instituto Akatu e IFC/Banco Mundial. Foi sócio de duas consultorias – Gestão Origami e Together – e, hoje, é Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil

Renato Guimarães

Jornalista, com mestrado em relações internacionais, é especialista em temas ligados à mobilização e engajamento em causas de impacto social. Morou oito anos no Peru, de onde conheceu bastante da América Latina. Trabalhou em organizações como Oxfam GB, Purpose, Instituto Akatu e IFC/Banco Mundial. Foi sócio de duas consultorias - Gestão Origami e Together – e, hoje, é Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil

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