‘Comida Invisível’ conecta quem quer doar e receber alimentos


Já conhecido nas redes sociais como ‘Tinder da Comida’, o aplicativo Comida Invisívelpor enquanto, disponível apenas no Google Play – foi criado por uma organização de mesmo nome para atuar contra o desperdício de alimentos.

Na verdade, o aplicativo amplifica o trabalho desenvolvido por sua equipe, que inclui palestras, oficinas e workshops, além da disseminação de conteúdos especializados nas redes sociais. Promove conexões entre restaurantes, empórios, pequenos mercados, hotéis, buffets e bares, que têm sobras diárias de comida ou alimentos às vésperas de vencer, e ativistas/voluntários ou entidades, que precisam de alimentos, como creches e ONGs, entre outras. Todos sempre interessados em doar ou receber.

Funciona assim: doadores cadastram o tipo de comida que querem doar, indicando validade, além da data e da forma como ela será entregue: no destino ou se deverá ser retirada.

Assim que o cadastro é feito, a doação fica disponível para voluntários e entidades que preparam ou distribuem refeições em regiões próximas ao doador. Quando a doação é aceita, o doador se manifesta sobre a entrega e as partes já combinam tudo.

O aplicativo, na verdade, é um facilitador para a transação entre as partes interessadas em doar e receber. Ele facilita o agendamento e ainda oferece mapas para indicar a proximidade geográfica de cada interessado, ajudando a resolver a questão da logística, geralmente um grande dilema. Mas não faz coletas.

Só alimentos bons para consumo

30% dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados, já pensou? Em todo o mundo, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos vão para o lixo, para os aterros sanitários. Por isso, também, a prática da doação de alimentos deve ser disseminada. E o que impede isso no Brasil?

Você já ouviu falar que é proibido doar alimentos? Eu já. Não há qualquer proibição nesse sentido, por aqui, mas os estabelecimentos optam pelo descarte por conta da responsabilidade que lhes cabe sobre a comida doada. Quer ver?

Se alguém se sentir mal e houver uma mínima suspeita de que a causa é o alimento doado, a responsabilidade integral pelo fato é do doador. Ou seja, um alimento doado é o mesmo que um produto vendido. Só que, no caso da venda, o risco é absorvido naturalmente pelo comerciante porque já faz parte do negócio. A doação é uma opção; correr risco, também. Então, é mais fácil evitar.

Claro que não é qualquer comida que pode ser doada. O Comida Invisível explica que somente alimentos impróprios para o comércio – por conta da legislação -, mas ainda bons para consumo. Por tudo isso, o aplicativo é regido por normas também. E tanto quem doa, como quem recebe se compromete a oferecer alimentos de qualidade, de um lado, e a manipulá-los de forma responsável, de outro.

O compromisso já se manifesta no cadastro: os interessados passam por treinamento online sobre armazenamento e preparo dos alimentos, de acordo com as normas da Anvisa. Isso dá segurança para todos, claro, mas é por isso que há vários projetos em discussão para modificar as regras vigentes. É preciso considerar essa prática a partir de um novo olhar.

Basta lembrarmos da polêmica sobre o alimento granulado criado pelo prefeito de São Paulo para “combater a fome”. E também do Banquetaço realizado por ativistas e chefs de cozinha, há cerca de duas semanas na capital paulista, contra essa ideia, que provou que é possível oferecer comida de qualidade para a população pobre, apenas com doações.

Assim, a proposta do Comida Invisível é mais que bem vinda. Só falta a organização aderir ao sistema operacional iOS e engajar também quem só tem acesso à Apple Store. Disponibilizar o aplicativo no desktop também seria uma ótima ideia para espalhar ainda mais essa ideia.

Imagem: Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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