Comércio ilegal coloca cacto na lista dos mais ameaçados do mundo

Cacto com flor rosa.

Conhecido internacionalmente por suas formas diversas e lindas flores, o cacto ganhou destaque no jornal científico Nature Plants, ontem, por outra causa, menos nobre. De acordo com o primeiro relatório global produzido a respeito do tema, pela International Union for Conservation of Nature (IUCN), 31% das espécies de cacto correm perigo de extinção. Isso o coloca entre os grupos taxonômicos mais ameaçados avaliados pela famigerada Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. E sua posição é bastante desprivilegiada: o cacto encontra-se ainda mais ameaçado que mamíferos ou aves.

A razão, segundo a pesquisa “Global Cactus Assessment” (em tradução livre, “Avaliação Global dos Cactos”), conduzida pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, é a pressão crescente exercida por atividades humanas. Estima-se que mais da metade das 1.480 espécies conhecidas de cacto sejam utilizadas pelas pessoas. Entre as ameaçadas, 47% sofrem com o comércio ilegal de plantas vivas e sementes para a indústria da horticultura e para coleções privadas, bem como sua exploração não sustentável.

Outras ameaças ao cacto são a pecuária de pequena escala, que afeta 31% das espécies em perigo, e a agricultura de pequenos produtores, que prejudica 24% das espécies. Além disso, o desenvolvimento residencial e comercial, pedreiras e aquicultura (particularmente a carcinicultura, que se expande nos habitats do cacto) também estão entre as principais ameaças enfrentadas por estas espécies.

Para um dos autores do estudo, o pesquisador Kevin Gaston, os resultados alarmantes da pesquisa refletem a importância da fundação e condução de avaliações a respeito do status de ameaça de todas as espécies nos principais grupos de plantas, como o cacto. “Só assim veremos o quadro geral do que está acontecendo com as espécies, num momento em que, como evidenciado pelo cacto, podem estar sob pressões humanas imensas”, afirmou.

Já o diretor geral da IUCN, Inger Andersen, destacou a necessidade de fazer esforços internacionais de combate ao comércio ilegal de vida selvagem, incluindo o de plantas, para prevenir um declínio ainda maior das espécies em risco.

O comércio de cacto ocorre nacional e internacionalmente e, geralmente, é ilegal, com 86% das espécies ameaçadas usadas na horticultura provenientes de populações selvagens. O estudo também identificou que coletores europeus e asiáticos são os principais responsáveis pelo comércio ilegal de cacto. Os espécimes retirados da natureza são particularmente procurados graças por conta de sua raridade.

Principais usos do cacto

Fundamental nos ecossistemas áridos, o cacto é fonte de alimento e água para muitas espécies animais – como cervos, coelhos, coiotes, perus, codornas, lagartos e tartarugas -, as quais ajudam na dispersão de sementes. As flores do cacto também fornecem néctar para beija-flores, abelhas e morcegos, que polinizam as plantas.

O cacto também é amplamente utilizado por seres humanos para alimentação, medicina e no comércio hortícola. Com frutos e hastes nutritivas, são fonte importante de alimento para comunidades rurais. Exemplo disso é a haste da espécie Opuntia ficus-indica, muito popular no México, onde seu valor nutricional é comparado ao de um bife de carne.

Foto: Jardín Botánico Regional de Cadereyta

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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