Comercial de Natal que mostra destruição de florestas e orangotangos por causa do óleo de palma é proibido na Inglaterra


Comercial de Natal que mostra destruição de florestas e orangotangos por causa do óleo de palma é proibido na Inglaterra

O filme é lindo. E de cortar o coração. A menininha não entende porque um orangotango está em seu quarto, fazendo a maior bagunça. Então, se irrita com ele e pergunta a razão para ele estar ali. E a resposta é chocante. O animal revela que seu habitat foi destruindo e muitos, como ele, foram mortos, para que a floresta onde moram se tornem plantações de óleo de palma, utilizado pela indústria na fabricação de diversos produtos que usamos no nosso dia a dia – de sabonetes e xampus a chocolates, biscoitos e margarinas.

A animação Rang-tan foi produzida pelo Greenpeace e tem a narração feita pela atriz britânica e ativista ambiental, Emma Thompson, conforme já havíamos mostrado neste outro post. O curta é parte de uma campanha global da organização, que busca aumentar a pressão sobre as empresas para que mantenham sua promessa e acabem com a destruição das florestas tropicais. O número de orangotangos de Bornéu caiu pela metade entre 1999 e 2015, com a perda de aproximadamente 150 mil indivíduos – isto é, mais de 25 por dia.

Pois a rede de supermercados da Inglaterra, Iceland, que em abril baniu das prateleiras produtos com óleo de palma, pediu ao Greenpeace para usar o filme em seu comercial de Natal deste ano.

Todavia, antes mesmo de ir ao ar, a organização não-governamental que decide quais propagandas podem ser veiculadas nas redes da televisão de canal aberto do Reino Unido, afirmou que o anúncio “era muito político” e o proibiu.

Em um comunicado de imprensa, a cadeia Iceland lamentou a decisão e afirmou que “Nossa intenção era que o comercial ajudasse a melhorar o entendimento de seus consumidores sobre a destruição sem precedentes da floresta tropical, provocada pelo plantio do óleo de palma, ingrediente que está presente em mais de 50% dos produtos vendidos em supermercados”.

Qual o problema do óleo de palma?

O óleo de palma, chamado no Brasil de óleo de dendê, é extraído do fruto de uma palmeira originária da África. A substância é usada na fabricação de cremes, sorvetes, barras de chocolate, dentre muitos outros. Para poder atender a crescente demanda da indústria mundial, milhares de árvores têm sido derrubadas e queimadas ilegalmente para dar lugar a plantações de palma.

No chamado Ecossistema de Leuser, na Indonésia, que engloba uma área de 2,6 milhões de hectares, está a maior floresta tropical da Sumatra. Declarado como Patrimônio Natural pela Unesco, nele estão localizadas duas cordilheiras de montanhas, três lagos, nove sistemas de rios e três parques nacionais. O local é habitat de 200 espécies de mamíferos, dezenas delas endêmicas dali, ou seja, não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta.

Dos 6 mil orangotangos restantes na Sumatra, 90% estão em Leuser. Só elefantes, que o usam como um corredor migratório, estima-se que 35 foram mortos entre 2012 e 1015. O desmatamento não só fragmenta o habitat destes animais, como os torna alvos mais fáceis para caçadores. A degradação da floresta aumenta ainda a ocorrência de incêndios.

Em novembro do ano passado, três das maiores fabricantes mundiais de chocolate foram denunciadas pela Rainforest Action Network (RAN) por continuar comprando óleo de palma de áreas de desmatamento em Leuser: Nestlé, Hershey’s e Mars, conforme noticiamos nesta outra reportagem.

Previsões apontam que a demanda mundial por este óleo deva dobrar até 2020. Malásia e Indonésia são os maiores produtores. Globalmente, as plantações cobrem uma área de 11 milhões de hectares. No Brasil, elas ocupam cerca de 40 mil hectares e grande parte da produção está localizada na região amazônica.

Foto: reprodução vídeo Youtube

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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