Um painel solar nas costas… e uma ideia sensacional na cabeça!

Com um painel solar nas costas... e uma ideia sensacional na cabeça!

A cada dia que passa, o uso de energias renováveis, como a solar ou eólica, se torna mais viável, prático e barato. O custo do desenvolvimento destas tecnologias e de sua consequente, produção, cai drasticamente a cada ano. Em 2015, o investimento global em fontes de energia limpa bateu recorde, chegando a US$286 bilhões. O valor foi mais do que o dobro daquele investido na geração de gás e carvão no mesmo período, como mostramos aqui.

Por isso mesmo, gostamos de mostrar no Conexão Planeta novas invenções e ferramentas que impulsionam o uso de energia limpa e sustentável no mundo. Ainda mais, quando elas são produzidos através de um negócio social. E é exatamente o caso deste painel solar portátil, fabricado pela empresa americana Biolite.

Extremamente leve e fino, ele consegue recarregar um telefone, usando a luz do sol, em apenas duas horas. Além disso, tem capacidade de estocar energia excedente, que pode ser usada horas mais tarde, quando já estiver escuro. O painel solar móvel custa aproximadamente 266 reais.

Com um painel solar … nas costas!

Portátil, leve e movido pela energia do sol

O mais bacana deste produto, entretanto, é o negócio que está por trás dele. A Biolite foi fundada pelos designers de Nova York, Alec Drummond e Jonathan Cedar, interessados em desenvolver produtos sustentáveis para levar eletricidade ao maior número de pessoas no mundo, sobretudo, para comunidades carentes de países pobres.

Foi em 2006 que os dois começaram a fazer os primeiros protótipos de um fogareiro portátil, que não funcionasse a partir de combustível fóssil, e desta maneira, fosse menos tóxico, ao deixar de liberar o  chamado “carbono negro”, fumaça responsável pela morte de 4 milhões de pessoas anualmente, segundo cálculos da Organização Mundial de Saúde.

Impacto social em países pobres

Ainda hoje, 3 bilhões de pessoas ao redor do planeta cozinham seus alimentos em fogareiros rústicos, quase iguais àqueles utilizados na Idade Medieval. Ao inalar continuamente esta fumaça, elas acabam sofrendo com problemas respiratórios, pneumonia, doenças pulmonares e catarata.

Primeiramente, a Biolite desenvolveu o CampStove, um fogareiro portátil feito para ser usado por quem gosta de acampar ao ar livre. No lugar de querosene, ele utiliza galhos de madeira e folhas (biomassa) para produzir fogo através de um processo termoelétrico.

Foi depois de idealizar o CampStove, que Alec e Jonathan se deram conta que o fogareiro portátil tinha o potencial de impactar, ou seja, melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas em lugares como Índia e África. Surgia então o CookStove, que contou com a ajuda de 1 milhão de dólares, arrecadados na plataforma de crowdfunding Kickstarter, para seu desenvolvimento.

Do fogareiro portátil para acampamentos surgiu a ideia que está mudando a vida de
pessoas na África e Índia

O aparelho utiliza menos madeira  para fazer o fogo e produz até 90% menos fumaça. Também serve de recarregador para aparelhos celulares e outros dispositivos móveis. É bom lembrar, que em países pobres, muitos e muitos vilarejos não estão ligados à rede de distribuição de energia, ou seja, as famílias não têm luz nem eletricidade em casa.

E por que a Biolite é um negócio social? Porque o dinheiro arrecadado com a venda de produtos mais caros, como o painel solar e o CampStove, é investido na fabricação de outros, como o HomeStove, que tem como objetivo levar eletricidade para quem ainda não tem acesso a ela. “Não é caridade, mas uma maneira de empoderar estas pessoas”, explica Jonathan.

Além de terem seu trabalho reconhecido através de diversos prêmios, entre eles o RedDot Design Award 2016, os designers novaiorquinos já foram convidados para falar nas Nações Unidas sobre empoderamento das mulheres. Com mil ideias na cabeça, ninguém segura estes dois empreendedores sociais.

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Fotos: divulgação BioLite

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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