Com que roupa eu vou… brincar na natureza?


Faça chuva, faça sol. Todo dia é dia de brincar com a natureza, ao ar livre. Todo dia é dia de se divertir, aprender, descobrir, experimentar. As crianças – nós também! – conseguem estar em uma experiência por inteiro quando à vontade. Por isso, escolher bem a roupa que ela vai usar é essencial, em qualquer tempo.

Nas escolas da floresta, ouvi muito o ditado “não existe tempo ruim, existe roupa certa”. É a pura verdade!

Para dias frios, por exemplo, a melhor opção são roupas que mantêm o corpo quente – o que é diferente de esquentar! Quando o inverno se aproxima, vejo crianças que mal podem se mexer embaixo de tantas peças. São camadas e camadas que privam a criança de um movimento livre, autônomo e confortável.

Mas o que seriam roupas que mantêm o corpo quente? Para gerar calor é preciso movimento. Logo, basta vestir a criança com uma roupa que ajude a manter esse calor gerado. Se o dia está muito frio, o ideal é colocar uma peça bem leve próxima ao corpo, algo mais quentinho por cima e um casaco. Ah, um gorro pode ser necessário também. Luvas até o momento em que a criança comece a brincar, obviamente.

Repare que falamos, aqui, de poucas camadas de roupa, sem exageros. E, assim, a criança pode se liberar da peça de cima a medida que for esquentando e se tornar necessário nivelar o calor, se “refrescar”.

O movimento não apenas ajuda a criança a se aquecer como é chave fundamental para seu desenvolvimento. Por isso, outro detalhe importante a notar é que a roupa escolhida deve facilitar a flexibilidade do corpo, deixá-lo à vontade para se esticar, adquirir diferentes posturas.

Para os dias de calor, roupas sempre leves, frescas e que permitam que o corpo libere o calor gerado com as brincadeiras e explorações. Também é importante o uso de boné ou chapéu por conta do sol. E aqui vale um alerta: a incidência do sol determina o horário próprio para a criança vai brincar. Tomar sol é importante para o desenvolvimento e a saúde, mas é preciso deixar a criança sempre protegida – com filtro solar (natural de preferência) também – e observar os horários. Há um período que é realmente impróprio para a saúde das crianças e dos adultos também, principalmente no verão ou em dias muito quentes, não importa a estação: das 11h às 15h.

Em dias chuvosos, inclua capa de chuva, galocha e peças impermeáveis no guarda-roupa.

Nos pés, em qualquer tempo, sempre sapatos confortáveis, no tamanho certo e firmes, para não machucar nem colocar as crianças em risco de acidentes.

Quando brincamos na e com a natureza, inevitavelmente ela deixa marcas em nós. Assim, roupas que possam receber essas marcas são essenciais. Quando estive nas escolas da floresta, vi muitas mães se despedirem de seus filhos com abraços e dizendo: “Até mais tarde! Quando eu voltar quero ver você bem enlameado!”. E é claro que as crianças atendiam a seus pedidos.

Então, não se preocupe se a roupa vai ficar suja! É preciso deixar que crianças – e adultos também – brinquem intensamente e entrem num estado de exploração profunda. Aliás, deveríamos ter escrito “sujar”, assim, entre aspas. Afinal, o que é sujeira? Escrevemos sobre isso, aqui no blog, em novembro de 2016. Vale rever o post A limpeza da sujeira e a sujeira da limpeza.

E uma última dica: a roupa não precisa combinar e não precisa ter marca!

A melhor roupa para brincar com a natureza é aquela que deixa a criança (e o adulto) confortável com o clima e os movimentos e que volta pra casa com muitas histórias pra contar.

Foto: Renata Stort

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

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