Com projetos na área ambiental, brasileiros vencem competição mundial da NASA

Com projeto de limpeza dos oceanos, estudantes baianos vencem competição mundial da NASA

Os brasileiros deram um show de conhecimento e inovação no hackaton Nasa International Apps Challenge 2019, desafio internacional promovido pela Agência Espacial dos Estados Unidos, entre estudantes do mundo inteiro e que acaba de ter seu resultado divulgado.

Duas equipes do Brasil, uma da Bahia e outra de São Paulo, ficaram entre as seis ganhadoras da competição, que teve como tema “Soluções para a Terra e o Espaço”.

No total, foram inscritos 2.067 projetos em seis diferentes categorias, envolvendo a participação de 29 mil jovens, de 83 países. Primeiro os paulistas e baianos conquistaram as etapas locais e depois, 30 projetos foram selecionados mundialmente.

Detalhe: o hackaton foi realizado durante um final de semana, ou seja, os jovens tiveram apenas três dias para pensar em seus projetos e os finalistas, mais sete dias para apresentarem seus vídeos!

Os estudantes Ramon de Almeida (Engenharia Química), Antonio Rocha, Pedro Dantas e Genilson Brito (Administração) e Thiago Barbosa (Análise e Desenvolvimento de Sistemas) faziam parte do time “Cafeína”, de Salvador, e foram os vencedores na categoria “Best Use of Hardware”, que tinha como objetivo a apresentação de uma solução que exemplificasse o uso mais inovador de um hardware.

O projeto do Cafeína foi desenvolvido para remover micropartículas plásticas dos oceanos. Esses pedaços minúsculos de resíduos de plástico, com cerca de 5 mm, vão se acumulando em grandes ilhas nos mares do planeta, com impacto devastador sobre a vida marinha.

Os baianos desenvolveram uma solução barata, com recursos já existentes: criaram um equipamento para ser acoplado na frota de milhares de navios e outras embarcações que trafega pelos oceanos. Batizado de Ocean Ride, o dispositivo foi inspirado no princípio do gerador Van Der Graaf, ao atrair microplásticos através de uma corrente eletrostática e armazenar esses detritos dentro de um contêiner.

Manchas de óleo detectadas pelo espaço

Enquanto isso, os estudantes de São Paulo, da equipe “Massa”, foram os grandes vencedores na categoria “Galactic Impact”, em que o desafio era melhorar a vida na Terra ou no Universo, empregando dados da NASA e de outros satélites de observação da Terra para criar aplicativos práticos que apoiassem políticas ambientais e sociais nos setores de água, saúde, segurança alimentar e/ou uso da terra.

Usando como exemplo a tragédia ambiental que ocorreu na costa do Nordeste do Brasil no ano passado, quando um vazamento de petróleo provocou a contaminação de mais de mil localidades, o programador Felipe Ribeiro Tanso, a designer Joana Braz de Almeida Ritter, o desenvolvedor Ariel Betti e os cientistas de dados Ricardo Ramos e Eduardo Ritter conceberam um programa de computador (API), que consegue detectar, via análise de imagens de satélite e inteligência artificial, derramamentos de óleo em qualquer parte do mundo.

O sistema global, chamado de Poseidon, poderia ser acessado por governos e outras organizações, e proteger uma economia global de US$ 3 a 6 trilhões, por ano, que depende da saúde dos nossos oceanos.

Com projetos na área ambiental, estudantes baianos e paulistas vencem competição mundial da NASA

O time paulista Massa que inventou um solução para enfrentar a contaminação de óleo nos oceanos

Não há prêmio em dinheiro para as equipes vencedoras, mas uma viagem bacanérrima as espera. Os seis times escolhidos vão mostrar seus projetos pessoalmente no Nasa Kennedy Space Center, na Flórida, nos Estados Unidos.

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Fotos: divulgação Nasa International Apps Challenge 2019

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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