Colônia gigantesca com 1,5 milhão de pinguins é descoberta na Antártica

Colônia com 1,5 milhão de pinguins é descoberta na Antártica

Enfim uma boa notícia. Uma equipe de pesquisadores internacionais identificou uma megacolônia, até então desconhecida, de pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) na Ilha de Dangers, no Mar de Weddell, numa das regiões mais ao norte da península antártica e de difícil acesso, por isso mesmo, até então, pouquíssimo explorada.

Através de uma expedição em terra, imagens feitas por drones e em alta resolução por satélites, o time de cientistas realizou o primeiro censo naquela área e contabilizou 751.527 pares de aves, mais do que toda a população registrada no restante da Antártica.

Em artigo científico, publicado hoje (02/03) na revista Scientific Reports, os pesquisadores reafirmam a importância da utilização de métodos de monitoramento diferenciados para conseguir descobertas como esta e também, a necessidade de proteção da Ilha de Dangers, por ser, sem dúvida nenhuma, uma área de reprodução dos pinguins-de-adélia.

O censo contou com expedição em terra, drones e imagens de satélite

Foi feita ainda uma comparação com imagens de satélite de 1959, que revelou que o tamanho da colônia tem se mantido estável ao longo das últimas décadas.

“Foi uma experiência incrível, encontrar e contar tantos pinguins. Cientificamente, apesar deste ser um número enorme de novos pinguins, eles só são novos para a ciência”, afirmou Tom Hart, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford.

Acredita-se que a região, que está distante de qualquer atividade humana, conseguiu se manter inafetada pelas mudanças climáticas.

Imagem aérea que mostra o número impressionante de pinguins-de-adélia

Mortalidade em massa

Em outubro do ano passado, noticiamos aqui, neste outro post, a morte de 40 mil filhotes da espécie por falta de alimentos. Cientistas franceses se depararam com a cena trágica na região leste do continente antártico. Da colônia de 18 mil casais de pinguins-de-adélia, somente dois filhotes sobreviveram.

A explicação mais plausível para a morte em massa dos pinguins foi o aumento da camada de gelo da Antártica em Terre Adélie durante os meses de verão. Com isso, as aves precisaram percorrer uma distância muito maior, em torno de 100 km a mais -, para conseguir alimentos para seus filhotes e acabaram não voltando a tempo. Além disso, o verão antártico de 2017 foi mais quente e chuvoso do que o normal. E os pinguins recém-nascidos ainda não possuem uma proteção adequada contra a água, ficando mais vulneráveis ao clima.

Em outubro deste ano, governos de diversos países vão se reunir no encontro da Comissão do Oceano Antártico e durante o evento, será discutida a criação da maior reserva de proteção do planeta, um santuário de 1,8 milhão de km2 na Antártica: um refúgio para pinguins, focas, orcas e baleias, que deixará a região fora do alcance das embarcações de pesca industrial, da caça às baleias e da exploração de petróleo (leia mais neste outro post e assine aqui a petição pela criação da reserva).

Pinguim-de-adélia

Nos últimos 30 anos, a população de pinguins-de-adélia diminuiu 65%, calcula a organização WWF. A espécie, que habita a Antártica e diversas ilhas costeiras do continente gelado, se alimenta de animais pequenos, como krills, mas também de peixes e lulas.

Os meses de reprodução deste pinguim vão de outubro até fevereiro, e fêmea e o macho se revezam para cuidar dos ovos, geralmente dois por ninho. Em abril, quando o degelo começa na região, as aves saem em busca de alimentos.

Estes animais vivem em colônias e podem chegar até aos 20 anos de idade.

Confira abaixo o vídeo com as imagens dos pinguins observados na colônia antártica:

*Com informações da Universidade de Oxford

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Fotos: divulgação Universidade de Oxford e Peterfitzgerald/Wikimedia commons (última) 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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