A colheita e a conservação das hortaliças

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Maio é o mês propício para a colheita na lavoura e na nossa horta doméstica. Na semana passada, escrevi sobre como devemos colher algumas hortaliças, no post Presente da nossa terra: a colheita! 

Hoje vou continuar a falar sobre este tema. Em alguns cultivares, o número de dias determina o momento exato da colheita, como é o caso da alface, que deve ser a partir dos 60 dias e que não deve ultrapassar os 90 dias porque começa a amargar.

Porém, à medida em que as verduras vão se tornando mais densas e pesadas, o número de dias para o ponto de colheita vai se estendendo. Mas qual o melhor dia de colheita para cada uma?

Além de consultar o calendário lunar e colher de acordo com cada lunação e planeta (como eu explico no post Cultivando com as fases da lua), vale manter um pequeno calendário com a data do plantio, que poderá ajudar quando o momento da colheita chegar. Em cada pacote de semente, os dados de cultivo são fornecidos e estes mudam de acordo com a variedade da espécie, portanto não deixe de marcar o tipo de cada cultivo.

É importante saber para qual propósito servirá a planta a ser colhida. Se for para consumo humano, nem sempre a hora ideal da colheita coincide com a maturação dos frutos do ponto de vista botânico. Um exemplo disto é o caso dos pepinos, berinjelas, quiabos, vagens e ervilhas. Para comê-lo o ideal é colhê-los ainda imaturos, quando ainda estão tenros e pouco fibrosos. Mas se o objetivo for para recolher sementes maduras, e completar o ciclo da planta, então o momento da colheita deve ser quando o fruto atingir a maturidade completa, ficando  em geral mais fibroso, duro e seco. Não deixe de sinalizar quando uma planta for escolhida para matriz, coloque fitinhas amarradas nos ramos para evitar que alguém desavisado não recolha os frutos errados.

A umidade excessiva nas raízes dos tubérculos pode favorecer a proliferação de fungos e bactérias e o mesmo ocorre com os frutos de casca delicada, principalmente aqueles com maior teor de açúcares, como é o caso dos tomates e pepinos, portanto, a higienização depois da colheita é fundamental para prolongar a vida do seu alimento.

O horário da colheita também deve ser levado em conta, para que o calor não interfira na conservação. A colheita deve ser executada nas primeiras horas da manhã, principalmente quando se tratar de folhas e frutos. Quando o transporte e a acomodação não forem possíveis antes das horas mais quentes do dia, recomenda-se  sombreá-los ou até mesmo interromper o processo e fazer a colheita no final da tarde.

O calor acrescido da transpiração dos  frutos favorece a proliferação de bactérias, que podem ser muito prejudiciais à nossa saúde.

Já em outros cultivos,  como no do alho e cebola,  a colheita envolve alguns cuidados anteriores ao dia da colheita, como a suspensão das regas em até duas semanas antes para favorecer a secagem dos talos e folhas. Somente depois de colhidos, inicia-se então o processo de cura e secagem dos rizomas, para que estes se sequem livres da formação de fungos e se preservem por longos períodos.

Estes procedimentos têm  fundamental importância para a conservação e armazenamento desses tipos de vegetais, por causa do grande teor de nutrientes que conservam nas suas raízes e o contato direto  que possuem com o solo, naturalmente cheio de microorganismos.

Portanto, tenha em mente que o solo é o primeiro fator contaminante na horta, apesar de ser também o berço onde todas as plantas crescem. Procure evitar o contato direto da sua colheita com ele para evitar a contaminação.

Depois de bem lavadas, as hortaliças  devem ser mergulhadas numa mistura de cloro e água que pode ser de 1 litro de cloro para 5 litros de água. Após a drenagem e secagem, devem ser acomodadas em cestas ou caixas limpas e vazadas, que permitam a evaporação da transpiração dos vegetais, que depois de colhidos liberam umidade  naturalmente.

Os tubérculos, como a batata, devem secar à sombra, longe de insetos e roedores. Os rizomas (alho, cebola gengibre) devem depois de limpos de toda a terra, secar suas hastes e folhas, para só então estas, serem destacadas e, a partir daí, iniciarem o processo de cura, que  consiste na secagem das cabeças, o que pode levar até 11 dias em ambientes secos, quentes e bem ventilados.

As abóboras devem ser colhidas depois que o fruto perca o seu brilho, já as batatas depois de que suas ramas murchem e os pepinos ainda verdes, ou seja, antes de amadurecidos.

Não se esqueça de aproveitar toda massa orgânica não consumível que venha da colheita, como folhas e talos descartados). Use todo esse material para compostagem ou na alimentação  das minhocas. Ou ainda, na cobertura do solo. Folhas de alho e cebolas podem ser usadas para preparar infusões para elaboração de repelentes naturais para outras hortaliças, basta  ferver as ramas e cascas, filtrar e aspergir. Desta forma, a colheita traz benefícios também às outras hortaliças na forma de adubação e de remédios naturais.

Na colheita de ervas aromáticas, o segredo maior está no horário. Dê preferência às manhãs e à lua cheia. Ao cortar ramos, use tesouras esterilizadas para impedir a entrada de fungos e microrganismos nestas plantas, que são perenes e durarão muitos anos. Faça os cortes gentilmente, retirando os ramos nas bifurcações acima dos galhos sem folhas. Cortar ramos lenhosos somente se usa para podar e dirigir o crescimento da planta de um lado em detrimento de outro. Lave as ervas e seque-as penduradas em pequenos feixes com as pontas para baixo. Em uma semana estarão prontas para guardar nos saquinhos ou para aromatizar sais e óleos gourmets.

Agora que você entendeu a diferença entre estar maduro para colher e estar maduro do ponto de vista botânico para a propagação  de mudas por sementes, poderá discernir melhor as fases de maturação dos frutos na horta e colhê-los de acordo com os diversos objetivos de uso.

O milho pode ser colhido verde ou mais tarde, dependendo do uso que se desejar dele. O feijão pode ser plantado para ser usado como adubo verde para colher e incorporar ao solo antes da frutificação.

Tudo é uma questão de quando, como e para quê.

Já que mencionei adubação verde, no próximo post vou explicar como e quando fazer.

Até a próxima semana!

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Foto: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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