Coalizão internacional de prefeitos quer impulsionar ODS e acordo do clima nas cidades

coligacao-transicoes-urbanas-michael-bloomberg-anne-hidalgo

Iniciativa lançada esta semana em Washington DC, EUA, pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo (na foto acima com Michael Bloomberg), reúne mais de 20 grandes instituições, entre elas o C40 – Grupo de Liderança Climática de Cidades, a Comissão Global sobre Economia e Clima (representada pelo projeto New Climate Economy) e o Ross Centre para Cidades Sustentáveis do WRI  – World Research Institute (saiba mais sobre estas instituições no final do texto).

Trata-se da Coligação para Transições Urbanas, uma parceria internacional que pretende apoiar as tomadas de decisões relacionadas à urbanização, em nível nacional, com base em estratégias locais e em planejamentos econômicos mais amplos. O objetivo desse movimento é ajudar governos a inserir os investimentos em infra-estrutura urbana entre as principais estratégias de crescimento para melhorar o desenvolvimento urbano no mundo. Isso será feito por meio de pesquisas econômicas e do engajamento nos países envolvidos.

Kgosientso Ramokgopa, prefeito de Tshwane, na África do Sul, explicou: “As cidades são um elemento-chave para alcançarmos tanto os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como os compromissos nacionais de clima do Acordo de Paris. E esta aliança vai construir uma base de evidências, para os decisores políticos, sobre as soluções que podem desbloquear o poder das cidades em apoio ao desenvolvimento e a um clima melhor”.

Hoje, os prefeitos enfrentam muitas barreiras para a ação já que muitas decisões estão concentradas nos líderes nacionais e nos ministérios de Finanças, Energia, Transporte e Economia. E isso define o desenvolvimento urbano.

Na ocasião, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro e presidente do C40, lembrou que os prefeitos envolvidos nesse projeto conhecem bem os benefícios econômicos e outros – muito mais amplos – das cidades sustentáveis. “Esta é a razão pela qual muitos de nós está fazendo tudo para aproveitar as oportunidades oferecidas pelo crescimento de baixo carbono”. Mas ressaltou também que “a escala do desafio da urbanização é tão grande que não podemos fazer tudo sozinhos. Precisamos dos decisores políticos nacionais e de planejamento econômico para complementar os esforços em nível municipal”. É justamente aqui que entra a Coligação.

Pesquisa recente da New Climate Economy, aponta que investir em cidades compactas, conectadas e eficientes pode reduzir consideravalmente as emissões de gases de efeito estufa (GEE), levando a uma economia global de energia no valor de US$ 17 trilhões até 2050. Há grandes oportunidades nessa conduta, portanto. Segundo Aniruddha Dasgupta, diretor global do Ross Centre para Cidades Sustentáveis, do WRI – que também é gerente da colizão -, a adoção de transportes sustentáveis – em todos os aspectos – não só traz benefícios sociais e ambientais como também pode gerar economia de US$ 300 bilhões/ano.

Nos próximos três anos, a Coligação pretende focar seu trabalho nos países que apresentam rápida urbanização – e, portanto, maiores desafios – como China e Índia. Nos dois, os danos à saúde por causa da má qualidade do ar estão associados à queima de combustíveis fósseis.

Na China, estes são avaliados em mais de 10% do PIB. E não podemos esquecer que, até 2020, o país deverá ter mais de um bilhão de pessoas. É urgente, por exemplo, interligar os sistemas de transporte público, para que as cidades se tornem mais amigáveis, competitivas e eficientes.

Nos próximos 15 anos, a Índia deverá ter mais de 600 milhões de habitantes. Suas cidades detêm 75% do PIB e 70% dos novos postos de trabalho, mas estão entre as cidades mais poluídas do mundo, entre elas as quatro primeiras do ranking: Delhi, Patna, Gwalior e Raipur. Para se ter ideia da gravidade da situação, basta dizer que a poluição por materiais particulados já provovou cerca de 630 mil mortes prematuras em 2010, o que custou o mesmo que 5,5 a 7,5% do PIB por ano. Isso, com certeza, seria minimizado consideravelmente com um planejamento inteligente.

C40, New Climate Economy e Ross Centre

Criado em 2006, o C40 reúne mais de 80 das maiores cidades do mundo, representando mais de 600 milhões de pessoas e um quarto da economia global. Criado e liderado por cidades, foca no combate às mudanças climáticas e na condução de  ações urbanas que reduzam as emissões de GEE e os riscos climáticos, ao mesmo tempo em que aumenta a saúde, o bem-estar e as oportunidades econômicas dos cidadãos urbanos. Michael R. Bloomberg, que foi prefeito de Nova York por três vezes, ocupa a Presidência do Conselho da entidade, que conta com três financiadores estratégicos: Bloomberg Philanthropies, Fundação Fundo de Investimento infantil (CIFF) e Realdania.

New Climate Economy é o principal projeto da Comissão Global sobre Economia e Clima, estabelecida como iniciativa independente por 7 países para examinar como é possível alcançar o crescimento econômico ao lidar com os riscos apresentados pelas mudanças climáticas. Dirigida pelo ex-presidente do México, Felipe Calderón, e co-presidida pelo economista Lord Nicholas Stern, inclui ex chefes de governo e ministros de finanças, líderes empresariais, investidores, prefeitos e economistas.

O Ross Centre para Cidades Sustentáveis do WRI atua com o objetivo de tornar real a sustentabilidade urbana por meio de pesquisas globais e experiência prática no Brasil, China, Índia, México, Turquia e Estados Unidos. Reúne mais de 200 especialistas que trabalham em mais de 50 cidades em todo o mundo para apoiar mudanças urbanas sustentáveis.

Foto: Divulgação/Coligação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta