Cinco países abrigam 70% do que sobra da natureza selvagem do planeta: o Brasil é um deles!

Cinco países abrigam 70% do que sobra da natureza selvagem do planeta: o Brasil é um deles!

Em um momento em que muitos brasileiros estão perplexos com o anúncio do presidente eleito, Jair Bolsonaro, da fusão (extinção?) dos ministérios do Meio Ambiente com o da Agricultura, um estudo internacional revela que o Brasil está entre os cinco países onde estão localizados os últimos ecossistemas intactos do mundo, ao lado de Rússia, Canadá, Estados Unidos e Austrália.

Em um trabalho inédito, publicado na revista Nature, pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, e da Wildlife Conservation Society (WCS), afirmam que apenas 23% dos ecossistemas marinhos e terrestres da Terra, com exceção da Antártica, ainda não foram afetados pelas atividades humanas.

“A perda da natureza selvagem deve ser tratada da mesma maneira que tratamos a extinção. Não há reversão depois do primeiro impacto. O estrago é para sempre”, diz James Watson, principal autor do estudo.

“Há um século, somente 15% da superfície da Terra era utilizada pelo homem para a agricultura e a pecuária”, ressalta. “Hoje, mais de 77% da terra e 87% dos oceanos foram modificados pelos efeitos diretos das atividades humanas”.

Segundo Watson, entre 1993 e 2009, uma área de natureza selvagem do tamanho da Índia – 3,3 milhões de km2 – foi transformada em lavoura, mineração e assentamento. No mar, as únicas regiões ainda livres da pesca industrial, da poluição e do transporte naval estão confinadas ao extremo ártico.

Os pesquisadores consideram “natureza selvagem” lugares onde as atividades industriais ainda não chegaram e as populações locais podem subsistir através da pesca e da caça.

Mapa revela onde estão localizados os últimos remanescentes
de natureza selvagem da Terra 

Evidências indicam que esses locais de vida ainda selvagem são refúgios valiosos para espécies que têm tido redução de seus indivíduos. Nos oceanos, são áreas onde os predadores do topo da cadeia conseguem sobreviver, como tubarões, atuns e marlins.

Mas a importância desses remanescentes naturais não se dá somente para a conservação da biodiversidade do planeta. Ela é vital para o ser humano também, já que presta um serviço ambiental incalculável, sobretudo, no combate às mudanças climáticas: florestas capturam dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, gás apontado como sendo o principal responsável pelo aquecimento global.

Devido a tudo isso, a responsabilidade do Brasil e dos demais quatro países onde ainda existe vida selvagem intacta é gigantesca. Todos têm obrigação moral a se comprometer em proteger esses refúgios naturais.

“Essas áreas de natureza selvagem só estarão seguras se essas nações assumirem um papel de liderança. Infelizmente, nos dias de hoje, esta liderança não existe. Precisamos agarrar esta oportunidade para garantir que esses refúgios não desapareçam para sempre”, alerta Watson.

Os pesquisadores internacionais acreditam que é necessário a implementação de uma política global de conservação. “Na maioria das nações, essas áreas não estão mapeadas, definidas ou protegidas. Precisamos de metas urgentes, principalmente aquelas com foco na preservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável”, destaca James Allan, outro autor do artigo da Nature.

O Brasil, que tem a maior floresta tropical do planeta e concentra 12% da água doce disponível na Terra tem a chance de se um líder global na área ambiental. Basta o governo brasileiro querer!

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Foto: Neil Palmer (CIAT)/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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