Cientistas revelam primeiras imagens dos recifes de corais da Amazônia, já ameaçados pelo petróleo. Assine a petição!


“Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”. Assim, o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, descreveu a experiência de observar recifes de corais na Amazônia. Para ele e o diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace americano, John Hocevar, que pilotou o submarino (abaixo; ao fundo o navio Esperanza; veja vídeo no final do post) que os levou até o local, durante essa expedição foi desvendado um mundo oculto, de natureza exuberante, numa região inóspita na qual seria quase impossível existir tanta vida.


Basta ver as imagens deste post (a do destaque foi feita no segundo mergulho) para compreender um pouco da dimensão do que eles observaram a 220 metros de profundidade e a mais de 100 quilômetros da costa brasileira. Lá, durante o primeiro mergulho, que durou duas horas, encontraram um recife de corais, rodolitos (algas calcárias) e esponjas numa profusão estonteante de cores e formas. Mas esse pedaço de biodiversidade representa apenas uma parte da beleza desse recife. Na verdade, ele se estende da Guiana Francesa ao estado do Maranhão e tem cerca de 960 km. E os pesquisadores acreditam se trata do lar de mais de 60 espécies de esponjas, 73 espécies de peixes, lagostins e estrelas.

A descoberta deste recife tão mágico foi uma enorme surpresa para os cientistas porque, a maioria dos grandes rios costuma ter grandes lacunas nos sistemas de recifes em sua foz. E os corais geralmente prosperam em águas claras e ensolaradas. Próximo à foz do Amazonas, o ambiente é muito oposto: as águas são escuras e as mais lamacentas do mundo.

Esta não foi a primeira vez que cientistas foram ao local. A expedição que enlouqueceu pesquisadores e inspirou esta nova jornada foi realizada em 2014 e coletou exemplares por meio de redes, ou seja, sem contato direto com o ambiente. Agora, nesta viagem, foi possível observar tudo de perto, embaixo da água, o que permitiu aos cientistas compreender melhor o que se passa nesse universo que – pasmem! – já está ameaçado pela exploração do petróleo. Empresas como a BP e a Total já estão de olho na região da foz do Rio Amazonas, há um tempo.

Não é preciso fazer esforço para imaginar o que poderá acontecer a esse santuário caso consigam seu intento: toda a vida marinha será colocada em risco, não só a dos corais. Com mais um detalhe: quase nada se sabe a respeito desse ecossistema. Por isso, o empenho de todos nessa expedição a bordo do navio Esperanza reforça a importância vital da campanha do Greenpeace – Defenda os Corais da Amazônia -, que convoca todos (por meio de uma petição e também a participar com divulgação ou doação), a pressionar as empresas petrolíferas para que cancelem a exploração.

É imprescindível proteger o recife de corais da Amazônia. Não só pelo potencial que tem para abrigar novas espécies – e ampliar os estudos científicos -, como também pela possibilidade de ajudar a gerar renda para as comunidades de pescadores ao longo da zona costeira amazônica.

Novos mergulhos


Desde o dia 27, o submarino do navio Esperanza mergulhou inúmeras vezes para explorar a região sul do recife, onde a água é mais clara. A cada mergulho, novas descobertas, novas cores, novas formas, novas espécies de corais, de peixes…

O segundo cientista a explorar o novo bioma a bordo do submarino foi o oceanógrafo e professor da UFRJ, Fabiano Thompson. Ele está envolvido com o tema desde 2011 e integrou a equipe que descobriu o recife.  De acordo com relato publicado no site do Greenpeace, ele viu um universo biodiverso muito diferente do observado no primeiro mergulho. Peixes de cores diversas, lagostins, camarões, além de algumas curiosidades: o fundo do rio – que parecia plano a princípio – e cheio de buracos usados pelos peixes como ninhos; alguns são construídos por peixes com algas calcárias carregadas; e ainda há peixes e camarões “faxineiros”, que comem ectoparasitas no corpo de outros peixes… só pra citar algumas peculiaridades.

Para proteger esta biodiversidade tão exuberante, assine a petição!

Agora, assista ao vídeo do primeiro mergulho do submarino do Greenpeace e também veja as imagens do recife deslumbrante de corais e outras espécies da Amazônia:

Fonte e fotos: Greenpeace

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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