Cientistas encontram altos níveis de pesticidas na Grande Barreira de Corais, na Austrália

Grande Barreira de Corais da Austrália

O Parque Marinho da Grande Barreira de Corais é o maior sistema de recife de corais do mundo. São 2.300 km de extensão, na costa de Queensland, ao leste da Austrália. Este ecossistema é habitat de riquíssima vida marinha e por isso, considerado Patrimônio da Humanidade.

Mas nas últimas décadas, a Barreira de Corais tem sofrido um impacto enorme causado pelas mudanças climáticas e o desproporcional e trágico descarte de lixo nos oceanos.

E agora, pesquisadores australianos do ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies, da James Cook University, revelaram que há mais uma ameaça. Em artigo científico publicado recentemente, os cientistas afirmam que foram detectados pesticidas, na Grande Barreira de Corais, acima dos índices permitidos em cursos d’água pelas diretrizes do país.

Para os especialistas, quantidades excessivas de produtos químicos nocivos – muitos deles proibidos em outros países como Estados Unidos, Canadá e União Europeia – estão danificando a água da Grande Barreira de Corais. Os níveis mais altos foram observados em cursos d’água próximos a áreas de lavouras de cana-de-açúcar e horticultura.

“O conhecido inseticida imidaclopride – agora banido por seus efeitos nas abelhas na Europa e Estados, e em breve também no Canadá – foi encontrado em muitos córregos e estuários de água doce na Grande Barreira de Corais e também em Queensland, de maneira mais ampla”, denunciou Jon Brodie, principal autor do estudo. “E a presença dessa substância pode ter efeitos gravíssimos sobre a vida marinha”, alerta.

Ainda segundo o estudo, mais de 80 dos ingredientes ativos registrados para uso na Austrália são proibidos pelos 27 países membros da Comunidade Europeia e 17 deles são associados com o aparecimento de câncer. Outros 48 foram apontados como possíveis desreguladores hormonais.

“Mais de 20 substâncias são classificadas como extremamente ou altamente perigosas pela Organização Mundial da Saúde. Três dos pesticidas estão sujeitos a ações de convenções internacionais, mas ainda são usados na Austrália”, destaca Brodie.

Os cientistas criticam a gestão dos órgãos responsáveis pelo controle dos agrotóxicos na Austrália. A regulamentação e o gerenciamento de pesticidas naquele país é uma responsabilidade conjunta dos governos federal e estadual.

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Foto: WWF-International

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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