Cientistas conseguem gravar, pela primeira vez, canto da baleia mais rara do mundo

A baleia-franca-do-pacífico (Eubalaena japonica) é um dos maiores cetáceos do planeta, que no passado, era comumente encontrado na costa oeste dos Estados Unidos e em países como Rússia e Japão. Podendo medir até 18 metros e pesar 90 toneladas, ele foi caçado cruelmente no século passado.

Atualmente acredita-se que restem apenas 30 indivíduos dessa espécie, por isso mesmo, ela é considerada a mais rara e a mais ameaçada das baleias.

Na semana passada, biólogos marinhos do Departamento de Pesca da Agência Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA) anunciaram que conseguiram gravar, pela primeira vez, o canto da baleia-franca-do-pacífico.

“Durante uma pesquisa de campo no verão de 2010, começamos a ouvir um padrão estranho de sons”, explica Jessica Crance, do Laboratório de Mamíferos Marinhos da NOAA. “Achamos que poderia ser uma baleia franca, mas não obtivemos confirmação visual. Então começamos a rever os dados de longo prazo dos gravadores acústicos ancorados e vimos esses padrões repetidos… Esses padrões pareciam música. Nós os encontramos de novo e de novo, ao longo de vários anos e locais, e eles permaneceram notavelmente consistentes ao longo de oito anos ”.

Mas em 2017, os cientistas conseguiram a confirmação que tanto esperavam ao visualizar uma baleia-franco-do-pacífico e captar seu canto.

“Agora podemos dizer definitivamente que os sons são dessa espécie, o que é muito empolgante porque ainda não havia sido ouvido em nenhuma outra população de baleias francas”.

Para ser uma música, os sons devem conter séries de unidades com padrões rítmicos, produzidas de maneira consistente para formar modelos claramente reconhecíveis.

Os pesquisadores suspeitam que o canto da Eubalaena japonica é utilizado para atrair parceiras durante a reprodução.

“Temos evidências claras de que as baleias francas cantam e achamos que isso pode ser exclusivo para os machos, mas ainda temos dados muito limitados sobre essa vocalização”, diz Jessica.

Segundo a bióloga, com apenas 30 animais sobreviventes, encontrar um parceiro deve ser difícil. “Talvez a proporção masculina de 2 para 1 no Pacífico Norte tenha levado nossos machos a cantar para atrair fêmeas. Todavia, podemos nunca ser capazes de testar isso ou saber com certeza”.

Os próximos passos da pesquisa são determinar se o canto tem alterações e sazonalidade ou ainda, se possuem informações específicas de cada indivíduo.

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*Com informações do NOAA Fisheries e vídeo The Guardian

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Imagens: ilustração Wikimedia Commons e foto divulgação NOAA

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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