Cientistas celebram imagem de filhote de orca ao lado da mãe

filhote de orca

Para os cientistas americanos, a linda foto acima foi motivo de muita comemoração. Divulgada recentemente na página do Facebook da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), ela foi tirada por um drone, em British Columbia, na costa oeste do Canadá, e capta o flagrande de um filhote de orca nadando ao lado da mãe. A razão da celebração é que a espécie pode desaparecer do planeta.

Mas desde dezembro, os pesquisadores do NOAA já conseguiram visualizar cinco filhotes. Este último, registrado pela imagem do drone, foi chamado de L122. A aparição dele foi uma surpresa para os cientistas, que estavam utilizando as gravações para tirar medidas da mãe orca.

Há 40 anos, o Center for Whale Research (CWR) realiza trabalho de monitoramento e contagem da população de baleias orcas (que na verdade pertencem à família dos golfinhos) na região localizada entre a costa mais ao norte dos Estados Unidos, próximo ao estado de Washington, e a costa sudoeste do Canadá. Os estudos são importantíssimos para fornecer informações sobre a dinâmica e demografia dos indivíduos da espécie, além de conhecimento sobre a estrutura social e comportamental dos mesmos.

As baleias vivem em clãs, que giram em torno das fêmeas mais velhas, geralmente mães ou avós. Na área pesquisada pelo CWR, foram detectados três clãs, denominados com letras: J, K e L. É por esta razão que o novo filhote avistado recebeu o nome de L122.

De acordo com pesquisas feitas pelo centro americano, apesar de orcas preferirem águas frias, podem ser encontradas em praticamente todos os oceanos do planeta, desde a Antártica até os trópicos. Estes animais não obedecem uma rota de migração certa, o que determina a direção que tomam é a abundância de alimentos. Geralmente são muito atraídos por salmão e arenque, mas algumas espécies preferem focas e leões marinhos.

Nas décadas de 60 e 70, houve um declínio extremo na população de baleias nas costas americana e canadense, devido, sobretudo, à captura destes animais por parques marinhos, que os usavam como atração em seus shows. Naquela época, o número de indivíduos chegou a 71. Nos anos 90, houve uma leve melhora, mas ainda hoje, estima-se que habitem a região apenas pouco mais de 80 baleias.

Em 2005, a NOAA Fisheries declarou as Southern Resident killer whales ameaçadas de extinção. Como os machos vivem menos do que as fêmeas (aprenda mais sobre as orcas ao final deste post), há poucos deles em boas condições para reprodução. Entre os fatores de ameaça para a espécie estão a redução da quantidade e qualidade de seus alimentos (presas), substâncias tóxicas presentes nos oceanos, derramamento de óleo e ruídos e tráfego de embarcações.

Esta semana, um novo estudo divulgado pela Rede WWF – Living Blue Planet Report – revelou que entre 1970 e 2010, certas populações de peixes apresentaram declínio de até 75% e os recifes de corais sofreram uma redução de  34% em todo planeta. Mas o relatório afirma que é possível reverter este quadro. Para tal, governos, empresas e comunidades precisam implementar leis rígidas para defender os recursos oceânicos, além de aplicar políticas que estimulem o consumo mais inteligente e responsável.

Quem é a baleia orca?

Entre os leigos, ela é mais conhecida como orca. Já para os cientistas, é a killer whale (baleia assassina, em inglês). A origem deste último nome é baseada na observação de cientistas, que notaram que o animal caça outros tipos de baleias.

Apesar de ser chamada de “baleia”, a orca (Orcinus orca) é um cetáceo, que pertence à família dos golfinhos – o maior deles, por isso mesmo, suas características físicas são bastante semelhantes com a de seus primos. Como outros cetáceos, elas podem ser identificadas individualmente pelos cientistas por causa de marcas naturais e diferenças no tamanho e formato das nadadeiras.

Os machos geralmente são maiores que as fêmeas. As orcas chegam a medir entre 5 a 9 metros de comprimento e podem pesar até 5.400 kg. Até hoje, o maior macho já achado media 9,8 metros e tinha mais de 9 kg.

O ciclo de vida das orcas é muito similar ao dos humanos. As fêmeas atingem a maturidade por volta dos 15 anos (mas os pesquisadores do Center for Whale Research já registraram o nascimento de um filhote de orca de apenas 11 anos). O período de gestação dura entre 15 e 18 meses e em geral, nasce um filhote a cada cinco anos. O indíce de mortalidade é muito alto: entre 37% e 50% deles morrem antes de completar o primeiro ano de vida.

A longevidade das orcas fêmeas é de 50 anos, todavia, muitas delas chegam a viver até os 100. Atualmente, J2 é a baleia mais velha sendo acompanhada pelos pesquisadores americanos. Ela tem 103 anos. Já os machos, vivem bem menos. Soltos na natureza, eles chegam aos 29 anos, podendo atingir, entretanto, 50 ou 60. Mas quando são presos em cativeiro, estes animais perdem quase 25 anos de sua vida.

Veja abaixo mais algumas das belíssimas imagens divulgadas pelo NOAA:

filhote de orca


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Fotos: NOAA Fisheries West Coast 

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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