Cientistas alertam sobre a necessidade de proteger os grandes primatas do coronavírus

Cientistas alertam sobre a necessidade de proteger os grandes primatas do coronavírus

Os primatas são os parentes biológicos mais próximos do homem. Gorilas, orangotangos e macacos compartilham 98% do DNA humano. Por esta razão, cientistas temem que essas espécies também possam ser contaminadas pelo coronavírus, o COVID-19.

Em uma carta assinada por 25 especialistas internacionais e divulgada na segunda-feira (24/03), na renomada revista Nature, há um alerta sobre o risco que os grandes primatas correm diante da pandemia do coronavírus.

Apesar de até este momento, não existir registro de nenhum animal infectado, sabe-se que muitos são suscetíveis a sofrer com outras doenças respiratórias humanas e de forma muito mais letal .

“Como especialistas em conservação e saúde desses animais, conclamamos governos, pesquisadores e profissionais de conservação e de turismo e agências de financiamento a reduzir o risco de introduzir o vírus nos habitats desses primatas, já tão ameaçados”, escreveram os cientistas.

De acordo com os biólogos, não se sabe ainda se a morbidade e mortalidade associadas à SARS-CoV-2 em humanos é semelhante em macacos. “Mas mesmo a transmissão de doenças humanas leves para os macacos podem levar a resultados de moderados a graves”, ressaltam.

Para reduzir ao máximo a possiblidade de contágio de primatas pelo COVID-19, os cientistas que elaboraram o alerta na Nature recomendam que o turismo em reservas e parques onde vivem gorilas, chimpanzés e macacos seja suspenso e a pesquisa de campo reduzida, sujeita a avaliações de risco para maximizar os resultados de conservação.

Em alguns países da África, como Ruanda e Congo, autoridades já ordenaram o fechamento de seus parques nacionais.

Em 2017, um estudo científico apontava que 300 espécies de primatas estavam à beira da extinção.

A importância dos primatas no planeta

Os primatas são essenciais para o entendimento da evolução de nossa espécie na Terra. E são também fundamentais para a biodiversidade do planeta.

Esses animais ajudam a dispersar sementes e, assim, recuperar florestas e matas. Estudos mostram que muitos primatas foram identificados ainda como polinizadores, já que algumas espécies se alimentam de flores e néctar. São ainda importantes indicadores da saúde do ecossistema onde vivem.

Em Madagascar, por exemplo, a presença dos lemurs está relacionada com o crescimento de árvores de grande porte, com grandes sementes. Caso sejam extintos, não se sabe ainda o impacto que isso pode ter sobre a floresta.

Leia também:
Boa notícia traz mais esperança para a sobrevivência dos gorilas das montanhas e das baleias-comuns
Koko, a gorila treinada na linguagem dos sinais – e exemplo de empatia -, morre na Califórnia
Extinção ameaça maior primata do mundo
Descoberta nova espécie de orangotango, já ameaçada de extinção


Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta