Estocolmo pode financiar uso de bicicleta aplicando multa em carros

Pesquisadores querem dar bônus para quem adota a bicicleta

Quem trocar o carro pela bicicleta em Estocolmo, na Suécia, vai “receber uma palmadinha nas costas e não um pontapé na cara”. A afirmação é do cientista Teo Enlund, do Royal Institute of Technology (RIT), que quer transformar a cidade na capital mundial do ciclismo. Para isso, sugeriu à metrópole cobrar uma “taxa de congestionamento” dos 160 mil automóveis que circulam diariamente nas ruas da cidade e distribuir este dinheiro entre os ciclistas.

A verba não seria recebida em espécie, mas em créditos para manutenção da bicicleta, como a mudança para pneus de inverno, consertar um pneu furado ou lubrificar a correia. Em suma, a proposta de Enlund é tirar dinheiro dos carros para dá-lo às bikes. Segundo o estudo liderado por ele, caso colocado em prática, o plano enviará sinais claros sobre a política de mobilidade da cidade.

“Muitas pesquisas mostram que cada centavo que a cidade investe no ciclismo voltará com juros na forma de saúde melhor, meio ambiente melhor e menos congestionamento. As sociedades que facilitam o uso de bicicletas estão fazendo um negócio de puro lucro”, defende o líder do estudo ao jornal Dagens Nyheter.

Enlund realizou a pesquisa com duas estudantes de doutorado, Hanna Hasselqvist e Mia Hesselgren. O estudo consistiu em incentivar famílias a adotarem veículos ambientalmente corretos e de eficiência energética, como bicicleta elétrica e quadriciclo elétrico. Com base nas vantagens e desvantagens apontadas pelos participantes do projeto, os pesquisadores elaboraram propostas de como a cidade poderia incentivar pessoas a abrirem mão do carro e optarem por outros meios de transporte.

Além de cobrar taxa dos motoristas de carro, como apresentamos no começo deste post, propuseram melhorar a infraestrutura de Estocolmo para garantir segurança aos ciclistas. Uma das apostas dos cientistas é a rodovia para bicicleta, com duas grandes faixas – uma para pilotos rápidos, outras para os mais lentos.

Por fim, o estudo conclui que uma terceira maneira de atrair mais pessoas para a bicicleta é incluí-la no transporte público. Exemplo disso é permitir bicicletas dentro de trens e do metrô. “Para dar certo, a mobilidade tem que ser integrada”, conclui Mia.

Foto: Roverin/Domínio Público

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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