Cidade do Paquistão registra a marca de 50,2°C

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O calor está chegando antes do previsto em alguns países e os extremos de temperatura podem bater recordes, como aconteceu com a cidade paquistanesa de Nawabshah, que acaba de registrar 50,2°C. Em 2015, a onda de calor que atingiu a cidade paquistanesa de Karachi deixou mais de 1.200 mortos. No ano passado, o país foi classificado com um dos 10 países mais vulneráveis às mudanças climáticas.

De acordo com um estudo recente publicado no periódico Nature Climate Change, as ondas de calor devem se multiplicar nos próximos anos. Estima-se que atualmente cerca de 30% da população mundial esteja exposta anualmente a um misto de calor e umidade que pode levar à morte. Até 2100, porém, quase metade da população (48%) do planeta sentirá os efeitos das ondas de calor em um cenário de redução dramática de gases de efeito estufa. Já se a liberação de poluentes continuar a aumentar no ritmo atual, as ondas de calor vão ameaçar sete em cada dez seres humanos.

Ao analisar as ondas de calor e seus efeitos ao longo da história, os cientistas conseguiram identificar as combinações letais entre umidade e temperatura em cada canto da Terra. Em São Paulo, por exemplo, temperaturas esbarrando nos 30 graus e percentual de umidade acima dos 90% são sinal de alerta para ondas de calor com potencial letal. Até 2100, Nova York deverá ter cerca de 50 dias por ano com temperaturas e umidades superiores ao limiar em que as pessoas morreram anteriormente. O número de dias mortíferos para Sidney será de 20; e, para Los Angeles, de 30. Em 2050, em um cenário moderado de redução de emissões, São Paulo poderá ter cinco dias letais por ano. Em Cuiabá seriam 116.

O risco de morrer por uma onda de calor é ainda maior em áreas tropicais, devido ao clima quente e úmido. Para latitudes mais altas, o risco de calor mortal é limitado ao verão. As ondas de calor acontecem quando temperatura alta e umidade elevada se prolongam por mais de três dias, com temperaturas acima de 85% da média do mês mais quente.

Países da África e da América, a Índia e o Paquistão, com populações vulneráveis e condições climáticas específicas, como baixa latitude, alta umidade e calor intenso, terão de conviver com um número maior de ondas de calor pelos próximos anos e devem registrar extremos de temperatura com maior frequência.

*Texto publicado originalmente em 04/05/2018 no site do Observatório do Clima

Foto: DVIDSHUB/Creative Commons/Flickr

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