#ChegaDeAgrotóxicos: campanha só cresce e alerta para risco de aprovação do PL do Veneno

A bancada ruralista está quietinha (parece), mas certamente aguardando uma boa oportunidade para votar e aprovar o PL do Veneno (Projeto de Lei 6299/2002), que é uma de suas principais pautas. Existe o risco de isso acontecer logo após o primeiro turno das eleições, que será no próximo domingo, 7/10. Ou depois do segundo turno. Os ativistas e parlamentares que lutam contra esse PL sabem que Temer quer passar o projeto da previdência e que, certamente, o Pacote de Veneno vai pegar carona nessa onda.

Por isso, é essencial participar de movimentos que orientam sobre a gravidade dessa questão como o #ChegaDeAgrotóxicos – que faz parte da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida – e assinar sua petição online, que reúne mais de 1 milhão e meio de assinaturas e luta pela aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA),parada na Câmara dos Deputados desde 2017.

O coletivo paulistano Banquetaço– que, no ano passado, reuniu chefs num mega banquete no centro da cidade de São Paulo contra a ‘ração’ que, o então prefeito Dória, queria dar para a população mais pobre – é um dos grupos que está à frente dessas ações.

E que destaca que, nestas eleições – e daqui pra frente – também é muito importante apoiar os políticos – governadores, senadores e deputados federais – que defendem esta causa e garantir suas presenças no Congresso, em Brasília. Sem eles, vai ser mais difícil derrubar a sanha dessa bancada. Veja a lista no site da Campanha Permanente.

O Banquetaço também preparou peças de divulgação (folhetos impressos e memes para as redes sociais) com a indicação dos candidatos a senador, deputado estadual e federal de São Paulo para espalhar nestes últimos dias de campanha das eleições. Ao lado, o meme que abre a campanha online; no final do post, os outros dois memes com todos os nomes. Bela ação.

No mês passado, o Greenpeace falou das propostas dos candidatos à presidência para tirar (ou não) o veneno do prato dos brasileiros. Indicou quem não vai fazer nada contra o projeto de lei, quem falou mas não disse muito, quem se comprometeu e quem se absteve. Vale a leitura!

Porque a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos precisa virar lei

Para o sociólogo Carlos Alberto Doria, que é membro do Banquetaço, “o caminho sinalizado pela Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA) é do futuro com uma natureza limpa, regenerada, que afaste todos os malefícios do que foi a Revolução Verde dos anos 50. É um caminho que coloca o meio ambiente como elemento central da produção, já que só os recursos naturais, através de sua renovação, garantem a perpetuação da espécie. Isso tudo, claro, sem deixar de incorporar a modernidade no processo, como as tecnologias limpas. O mundo produziu várias tecnologias e a agricultura convencional só se apropriou daquelas que visam a maximização do lucro, o lucro imediato”.

Ele acredita que o caminho apontado pela Pnara deve avançar em vários cenários políticos após as eleições. Não importa o resultado das urnas. Mas quem viu o último debate com os presidenciáveis, na TV Globo (do qual fugiu o candidato do PSL), certamente lembra de Guilherme Boulos, do PSOL, em sua fala final, dizer que ““Ao contrário do que diz a Globo, o agro não é pop, o agro é tóxico, o agro mata”. Foi lindo!

Doria lembra que, hoje, a população está demasiadamente exposta aos perigos do uso intensivo de agrotóxicos e é urgente reduzir esse uso a zero. A Pnara indica como chegar lá. “É um caminho de longo prazo, considerando aspectos de cada região, setor, tipos de cultura. E há um ponto que quero destacar: quando analisamos os últimos dados do censo agropecuário, deu pra ver que apenas 20% dos estabelecimentos usa agrotóxicos. Ou seja, há um universo enorme a ser disputado, tanto pela agricultura convencional, como pela agroecologia. A Pnara se coloca nesse ponto de inflexão do que deve ser o campo no Brasil”.

Para o especialista, é preciso olhar para o campo do ponto de vista da eficiência e da preservação da natureza, não da ótica da lucratividade, para que os ciclos possam se repetir, se perpetuar. “E, aqui, entram os conhecimentos tradicionais como uma porta de experiências do passado, não só as de hoje, que são baseadas em experiências tecnológicas. Precisamos recuperar soluções adaptativas boas que foram deixadas pra trás, criando um cenário de diversidade, sempre preservando a natureza limpa”, acrescenta.

Ele ainda destaca a saúde como um dos objetivos para se chegar a essa transformação. Mas fala da prevenção de doenças como um objetivo, evitar doenças e não tentar curá-las, buscando apenas ter grandes centros que possam tratar do câncer, por exemplo. Quanto menos precisarmos tratar esse tipo de doença, melhor para todo o sistema. “A questão da saúde é transversal e diz respeito à política de redução de agrotóxicos”.

Doria lembra também que a Pnara é como um marco civilizatório. Que tipo de civilização queremos ter? Esta é a nossa saída para o caminho da abundância e da regeneração e para lutarmos contra o projeto que a maioria do Congresso quer aprovar. “Vamos defendê-la com unhas e dentes até o final do ano porque precisamos aprova-la ate lá, senão vai caducar. Se isso acontecer, continuaremos a luta no ano que vem. Seguiremos firmes em qualquer cenário”.

O Banquetaço está se preparando para agir logo após o segundo turno das eleições. Assim que a agenda for definida, divulgaremos aqui.

Agora, veja os dois memes que completam a campanha paulistana do coletivo nas redes sociais:


Com colaboração da jornalista Heloisa Bio

Foto: Ulleo/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta