Chega de crueldade e sofrimento: petição pede fim do uso de penas e plumas naturais nos desfiles de carnaval

Chega de crueldade e sofrimento: petição pede fim do uso de penas e plumas naturais nos desfiles de carnaval

No ano passado, falamos sobre esse mesmo assunto. Em 2019, a atriz Juliana Paes foi envolvida em uma polêmica, acusada de usar um adorno de cabeça com penas de uma ave rara da Indonésia. Ela negou e afirmou que a fantasia foi feita com material reciclado (leias mais aqui).

Mas a questão continua, Carnaval após Carnaval: por que as escolas ainda utilizam produtos de origem natural quando há alternativas sintéticas?

Conforme já contamos antes, por causa de nosso carnaval, o Brasil é um dos maiores importadores mundiais de plumas e penas, que vêm, sobretudo, da África do Sul, China e Índia. Nesses lugares, as aves são criadas especificamente para esta finalidade. Gansos, pavões, patos, avestruzes e faisões são os animais que “fornecem esses produtos” para o mercado internacional.

Crueldade e sofrimento totalmente desnecessários. Já existem alternativas similares – mineral, vegetal ou sintéticas -, que substituem os produtos de origem animal.

Estima-se que 25 toneladas de plumas sejam usadas por ano, para atender a demanda da festa do Rio de Janeiro e de São Paulo. Vendidas por quilo, dependendo da qualidade, seu valor pode variar entre R$ 160 e R$1,2 mil.

As escolas de samba precisam ser mais transparentes para dar o exemplo. Este ano, a Portela, por exemplo, afirmou que suas fantasias foram feitas com plumas artificiais.

Em 2017, a paulistana Águia de Ouro também anunciou que se comprometeria a não mais usar penas ou plumas verdadeiras, de origem animal.

Novamente, ressaltamos: levar para a avenida questões importantes como a preservação ambiental, mas nos bastidores financiar a tortura de animais é, no mínimo, hipocrisia.

Desde 2016, há um abaixo-assinado no site Change.org que pede o comprometimento das Ligas das Escolas de Samba a “substitur as penas naturais pelas sintéticas, sem dor e sem exploração, para um carnaval mais ético, mais justo e mais alegre”.

Você já assinou? Eu já! Vamos lá, participe!

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Foto: Gabriel Nascimento/Riotur/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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