Chef número 1 do mundo e Gastromotiva se unem em projeto de restaurante social no Rio

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A parceria entre o empreendedor social brasileiro, David Hertz, da Gastromotiva, e o chef italiano Massimo Botturaum dos mais renomados e que acaba de receber o prêmio de Melhor Restaurante do Mundo pelo 50 Best – não é de agora: vem do ano passado.

Com sua ONG Food for Soul, Bottura convidou Hertz e alguns chefs renomados para participar do Reffetorio Ambrosiano (foto abaixo), restaurante instalado em um dos bairros mais pobres de Milão, Greco, durante a Expo Milano, para atender moradores de rua e refugiados. O menu era definido diariamente a partir dos alimentos disponíveis, que seriam descartados por lanchonetes e restaurantes durante a famosa feira de design e arquitetura.

reffetorio-ambrosiano-massimo-bottura-milao-2015O chef renomado é grande ativista contra o desperdício de comida e também muito conhecido por criar menus com ingredientes pouco comuns na gastronomia. Hertz faz disso uma de suas bandeiras à frente da Gastromotiva, que criou em 2004. Com base na experiência vivida em Milão, este ano Hertz propôs a Bottura replicá-la no Rio de Janeiro, durante as Olimpíadas. Convite feito e aceito prontamente.

O novo ReffetoRio Gastromotiva também utilizará sobras de ingredientes ainda em bom estado – verduras, frutas e legumes dispensados na Vila Olímpica -, mas que certamente iriam para o lixo, e atenderá pessoas em situação de vulnerabilidade social. Os cardápios serão criados por alguns dos maiores nomes da gastronomia mundial, entre eles Alain Ducasse, João Roca, Andoni Aduriz e os brasileiros Thomas Troigros, Alex Atala e Roberta Sudbrack, além de profissionais da rede Gastromotiva, que capacita jovens carentes.

A inauguração está prevista para 9 de agosto com um jantar idealizado e preparado por Bottura e Hertz. E quando os Jogos Olímpicos e Paralímpicos terminarem o restaurante – que terá mesas comunitárias com 108 lugares – passará a ser administrado por chefs e outros profissionais formados pela Gastromotiva.

Na hora do almoço, abrirá para o público que pagará pelas refeições, mas, à noite, continuará atendendo pessoas carentes de forma gratuita. A ideia é que os frequentadores da hora do almoço ofertem uma refeição – ou quantas lhes aprouver – para os frequentadores do jantar. Como não haverá mais Olimpíadas, Hertz está em contato com hortifrútis e mercados para obter doações de alimentos.

Mas não é só isso! Nesse segundo momento da iniciativa, o espaço também se transformará em escola, oferecendo oficinas e workshops para formação de profissionais de gastronomia, que é o DNA da Gastromotiva.

O terreno onde o ReffetoRio Gastromotiva está sendo construído foi cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro no bairro da Lapa. O projeto arquitetônico é do escritório Metro Arquitetos, o mobiliário dos irmãos Campana e a cenografia do artista e fotógrafo Vik Muniz.

Hertz ainda está prospectando apoiadores para que o projeto se sustente. Até agora, uma multinacional e uma fundação aderiram financeiramente ao projeto e a ONG de Bottura doou 200 mil reais – do total de dois milhões orçados inicialmente – para ajudar a lançá-lo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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