Cervejinha-do-campo pode auxiliar no tratamento da doença de Chagas

cervejinha-do-campo pode auxiliar tratamento de doença de Chagas

“Ao olhar para essa planta, nas pastagens de Minas Gerais, as pessoas nem imaginam que ela pode ter um grande potencial terapêutico”, diz Wagner Vilegas, especialista em química de produtos naturais.

O pesquisador faz parte da equipe da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que está desenvolvendo um novo fármaco para o tratamento da doença de Chagas, feito à base da planta medicinal cervejinha-do-campo (Arrabidaea brachypoda). “Trata-se de uma atividade promissora, mas ainda são necessários mais testes até que se chegue ao uso em humanos. São etapas longas, complicadas, custosas, mas que precisam ser feitas”, ressalta Vilegas.

Cláudia Quintino da Rocha, outra pesquisadora do trabalho, conta que isolou uma molécula inédita da planta presente no Cerrado brasileiro e a testou em modelos in vitro e in vivo. A substância apresentou uma alta atividade contra o parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas.

Um dado importante da pesquisa é que, nas doses testadas até o momento, o composto não apresentou toxicidade significativa. Atualmente, existem no mercado apenas dois medicamentos para tratamento da doença de Chagas: o nifurtmox e o benzonidazol. O primeiro apresenta reduzido poder tripanocida (capacidade de matar o parasita), uma vez que é eliminado rapidamente no plasma e deve ser administrado continuamente. Além disso, apresenta inúmeros efeitos colaterais como náuseas, vômitos, dores estomacais, entre outros.

Já o benzonidazol não pode ser usado no tratamento pediátrico e causa fortes reações adversas, semelhantes ao nifurtmox.

Rocha, que é professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), afirma que os efeitos colaterais desses medicamentos são muito fortes e, por isso, muitos pacientes precisam suspender o tratamento.

“Cerca de 30 % dos infectados que não tratam a doença na fase aguda vão desenvolver os sintomas da fase crônica.” Nesta última etapa, a grande preocupação é a insuficiência cardíaca, que pode causar morte súbita.

Além disso, 40% dos pacientes sentem fortes efeitos colaterais, como dores de cabeça, fadiga, insuficiência renal, diarreia, enjoos e vômitos. “O uso da nova substância poderá tornar o tratamento da doença tão eficaz quanto os que já existem, porém sem efeitos colaterais”, finaliza Rocha.

O passo seguinte será realizar novos ensaios in vivo para atestar a segurança da molécula. Em seguida, pretende-se desenvolver formulações farmacêuticas com o composto. Um pedido de patente foi depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sobre a descoberta e aplicação da nova molécula.

Vilegas lembrou que as doenças crônicas são responsáveis por cerca de 40% das enfermidades na população adulta brasileira, segundo dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013.

De acordo com o pesquisador, o Brasil tem uma biodiversidade enorme mas ainda pouco explorada. “Meu objetivo é tentar buscar na natureza alternativas para as doenças crônicas que sejam mais viáveis, menos tóxicas, mais baratas e que estejam à disposição da população”, acrescentou.

Parte da pesquisa da Unesp foi desenvolvida com apoio da Fapesp durante o pós-doutorado de Cláudia Rocha, no Instituto de Química da Unesp, em Araraquara, e no laboratório da Universidade de Genebra, na Suíça, com supervisão dos professores Jean-Luc Wolfender e Emerson Queiroz. Na Unesp, a pesquisa teve orientação de Vilegas, atualmente docente no Instituto de Biociências da Unesp no Litoral Paulista.

O estudo foi desenvolvido no âmbito do Projeto Temático “Fitoterápicos padronizados como alvo para o tratamento de doenças crônicas”, coordenado por Vilegas (Leia mais aqui), e também contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

*Texto publicado originalmente em 11/10/16 no site da Agência Fapesp de Notícias

Foto: João Medeiros/Creative Commons/Flickr

2 comentários em “Cervejinha-do-campo pode auxiliar no tratamento da doença de Chagas

  • 18 de novembro de 2016 em 6:23 PM
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    COMO FAÇO PARA CONSEGUIR ESTA PLANTA? E QUANTO CUSTA
    A CERVEJINHA DO CAMPO?
    COMO E CHAMADA NA BAHIA?
    AQUI NINGUÉM CONHECE COM ESSE NOME

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    • 19 de novembro de 2016 em 8:12 AM
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      Oi Maria,
      O nome científico da cervejinha do campo é Arrabidaea brachypoda. Mas em todo Cerrado brasileiro ela é conhecida como cervejinha do campo. Infelizmente, não sabemos onde ela está disponível na Bahia. Nossa recomendação é que você busque alguém no setor de Agronomia em algumas das universidades do estado.
      Abraço,
      Suzana

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