Centenas de coalas morrem devido a incêndios florestais que se alastram pela Austrália

Centenas de coalas morrem devido a incêndios florestais que se alastram pela Austrália

Assim como na Califórnia, incêndios florestais sempre foram comuns na Austrália. As duas regiões estão localizadas em áreas de deserto do planeta, e durante o verão, com as temperaturas altas, os focos de fogo se propagam facilmente.

Todavia, em ambos os países, especialistas do clima alertam que, por causa das alterações no clima da Terra, cada vez mais, esses incêndios começam mais cedo, se estendem por períodos mais longos e se tornam mais devastadores.

É que ocorreu há poucas semanas na Califórnia, conforme mostramos nesta outra reportagem, e é o que acontece agora na Austrália. E isso porque o verão ainda nem começou.

Esta manhã, autoridades de New South Wales, estado mais populoso do país, declararam estado de emergência e afirmaram que as condições climáticas são catastróficas, no que já é tido como o mais perigoso incêndio florestal a ser enfrentado, por causa da seca e do vento forte.

No momento, há 60 focos de incêndio na região, e segundo os brigadistas, 40 estão fora de controle. As regiões mais afetadas são Queensland e o oeste e sul da Austrália.

Além dos bombeiros, os incêndios estão sendo combatidos pelo ar, com aviões. Até mesmo casas que foram construídas para suporte o calor extremo não devem aguentar o fogo que está previsto para os próximos dias. Centenas de australianos, que vivem próximo a áreas florestais, estão sendo alertados a deixarem suas residências.

Usualmente, os incêndios florestais na Austrália só deveriam começar daqui a algumas semanas. Mas só em New South Wales, até agora, cerca de 850 mil hectares de vegetação já foram destruídos pelas chamas – uma área cinco vezes maior do que Londres.

Centenas de coalas morrem devido a incêndios florestais que se alastram pela Austrália

A imagem acima, foi registrada do espaço e revela, já no início de setembro, incêndios no Parque Nacional Yuraygir e na área de Shark Creek, na Austrália.

No ano passado, também mostramos aqui como, em janeiro, dezenas de animais selvagens morreram com o calor extremo na Austrália. A mortandade atingiu cavalos, peixes e morcegos, que não resistiram a temperaturas acima dos 40oC.

Incêndios ameaçam coalas

Este ano, entre as maiores vítimas dos incêndios florestais da Austrália estão os coalas. De acordo com a Koala Conservation Australia, mais da metade da população da espécie que vivia na Reserva Natural do Lago Innes, em New South Wales, morreu.

Estima-se que entre os 500 ou 600 coalas que habitavam ali, 350 não sobreviveram ao fogo. Os demais foram resgatados e levados a hospitais veterinários, onde estão sendo hidratados e tendo seus ferimentos cuidados.

Os coalas já enfrentam uma situação extremamente difícil na Austrália. Conforme noticiamos aqui, em maio, eles foram declarados “extintos funcionalmente” porque são tão poucos, que não têm mais papel no ecossistema. Os biólogos dizem também que o declínio da população compromete a segurança e a variação genética da espécie, já que o acasalamento, muitas vezes, ocorre entre “parentes” muito próximos.

*Com informações do jornal The Guardian e Independent

Leia também:
Um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção, revela novo e alarmante relatório internacional
Tempestades intensas e perda de vida marinha já são inevitáveis, afirma novo relatório do IPCC
Geleira derretida na Islândia devido à mudança climática ganha memorial de alerta sobre o futuro
#EverydayClimateChange: as mudanças provocadas pela crise climática através das lentes de fotógrafos dos cinco continentes

Fotos: Koala Conservation Australia (abertura) e ESA/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta