Censo revela aumento da população da arara-azul-de-lear na Bahia


Censo mostra recuperação da população da arara-azul-de-lear na Bahia

Ameaçada de extinção, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é uma ave encontrada exclusivamente na Caatinga baiana, na região conhecida como Raso da Catarina. Infelizmente, assim como outras milhares de espécies do Brasil e do mundo todo, ela foi desaparecendo de seu habitat original, devido ao tráfico de animais silvestres e também, pela expansão agropecuária e desmatamento de matas e florestas.

Mas graças a um trabalho de conservação, pesquisa, proteção e educação ambiental do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear, a situação desta ave símbolo da Caatinga começa a mudar.

No censo realizado no ano passado e que noticiamos neste outro post, foram observadas 1.354 araras-azuis-de-lear vivendo livres na natureza.

Entre os últimos dias 7 e 10 de agosto, pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), juntamente com organizações parceiras e voluntários, promoveram um novo censo. Foram registrados 1.700 indivíduos.

Além do número superior, pela primeira vez, a contagem foi feita nos cinco dormitórios atualmente utilizados pela espécie: Serra Branca (localizada no sul da Esec Raso da Catarina), Estação Biológica de Canudos, Fazenda Barreiras, Baixa do Chico (Terra indígena dos Pankararés) e Barra do Tanque.

“Isso possibilitou chegarmos a uma estimativa mais aproximada do tamanho real da população de araras-azuis-de-lear na natureza”, comemora Emanuel Barreto, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Aves Silvestres (Cemave).

E na prática, como funciona o censo?

Em todos os pontos de contagem há pelo menos dois recenseadores munidos de binóculos, máquinas fotográficas e rádios de comunicação. Este últimos são importantes para evitar a duplicidade do registro. Os horários ideais são ao amanhecer (quando as araras saem dos dormitórios para as áreas de alimentação) e ao entardecer (quando as aves retornam aos dormitórios).

A contagem anual das araras-azuis-de-lear é feita desde 2001. A espécie foi descrita pela primeira vez em 1856, porém sua área de ocorrência (habitat) permaneceu desconhecida por mais de um século. Foi apenas em 1978, que pesquisadores finalmente descobriram sua localização, no nordeste do estado da Bahia, ao sul do Raso da Catarina.

Equipe envolvida no censo das araras-azuis-de-lear

Hábitos da arara-azul-de-lear

Diariamente, para buscar alimentos, a ave pode percorer até 60 km. No final da tarde, é um dos horários em que  os bandos podem ser vistos, retornando para seus lares.

A arara-azul-de-lear alimenta-se basicamente de cocos da palmeira licuri (Syagrus coronata), podendo consumir em torno de 300 deles num só dia. Mas também ingere milho e outras frutas, como baraúna, umbu, mucunã, mandacaru e facheiro.

Segundo os biológos relatam, no momento em que o grupo de aves se alimenta, há sempre um indivíduo em galhos mais altos de árvores grandes, cuidando do bando.

*Com informações do Icmbio 

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Foto: João Quental/Creative Commons/Flickr (abre) e divulgação Icmbio e Osmar Borges (voluntários)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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