Censo mostra recuperação da população da arara-azul-de-lear na Bahia

Censo mostra recuperação da população da arara-azul-de-lear na Bahia

Ameaçada de extinção, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é uma espécie encontrada exclusivamente na Caatinga baiana, na região conhecida como Raso da Catarina. Infelizmente, assim como outras milhares de espécies do Brasil e do mundo todo, ela foi desaparecendo de seu habitat original, devido ao tráfico de animais silvestres e também, pela expansão agropecuária e desmatamento de matas e florestas.

Mas graças a um trabalho de conservação, pesquisa, proteção e educação ambiental do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear, a situação desta ave símbolo da Caatinga começa a mudar.

Uma contagem feita em outubro registrou 1.354 araras-azuis-de-lear vivendo livres na natureza. “Os resultados do censo demonstram que as populações estão se restabelecendo, em especial nas áreas protegidas da região do Raso da Catarina”, comemora Sara Alves, coordenadora de Flora e Fauna do Inema/BA.

O censo foi uma ação conjunta, realizada pela equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), diversos parceiros locais e voluntários.

“Em cada censo são realizadas seis contagens simultaneamente nos três dormitórios utilizados pela espécie, sendo três contagens ao amanhecer (quando as araras acordam e saem do dormitório para as áreas de alimentação) e três ao entardecer (quando elas retornam das áreas de alimentação para os dormitórios)”, explica Antônio Emanuel Sousa, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

Sousa destaca ainda que é utilizado o método de contagem em pontos fixos, totalizando onze pontos de contagem, sendo sete na Estação Ecológica do Raso da Catarina, três na Estação Biológica de Canudos e um na Baixa do Chico (Terra Indígena do Pankararés).

Em cada ponto de contagem ficam posicionados dois censeadores, os quais utilizam binóculos, rádios de comunicação e máquinas fotográficas, para reduzir possíveis erros. “Embora não haja dimorfismo sexual (macho e fêmea são morfologicamente idênticos), os pesquisadores conseguem diferenciar os indivíduos durante as contagens porque eles passam voando em pequenos bandos, sendo possível determinar o tamanho do bando. É claro que há momentos de lidarmos com bandos grandes, principalmente nas revoadas ao amanhecer, mas nessas situações, vale muito a experiência do censeador para obter um boa estimativa do tamanho do bando”, revela.

A contagem anual das araras-azuis-de-lear é feita desde 2001. A espécie foi descrita pela primeira vez em 1856, porém sua área de ocorrência (habitat) permaneceu desconhecida por mais de um século. Foi apenas em 1978, que pesquisadores finalmente descobriram sua localização, no nordeste do estado da Bahia, ao sul do Raso da Catarina.

Diariamente, para buscar alimentos, a ave pode percorer até 60 km. No final da tarde, é um dos horários em que  os bandos podem ser vistos, retornando para seus lares.

A arara-azul-de-lear alimenta-se basicamente de cocos da palmeira licuri (Syagrus coronata), podendo consumir em torno de 300 deles num só dia. Mas também ingere milho e outras frutas, como baraúna, umbu, mucunã, mandacaru e facheiro.

Segundo os biológos relatam, no momento em que o grupo de aves se alimenta, há sempre um indivíduo em galhos mais altos de árvores grandes, cuidando do bando.

*com informações do ICMBio 

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Foto: João Quental/Creative Commons/Flickr (abre) e divulgação ICMBio

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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