Censo de abelhas mobiliza britânicos em aplicativo no celular

Há poucas coisas que os britânicos gostem tanto do que cuidar de seus jardins. Nesta época do ano, quando o sol finalmente dá a graça nesta ilha do Hemisfério Norte, lojas de plantas ficam lotadas e moradores passam mais tempo no quintal, regando e admirando as cores e aromas da primavera.

Junto com o desabrochar das flores, chegam os animais selvagens. Ou o que ainda restou deles, já que muitos foram levados quase à extinção nos últimos séculos, devido à urbanização desenfreada, até então, sinônimo de desenvolvimento e progresso econômico.

Hoje em dia os ingleses tentam recuperar o que foi perdido. Trazer de volta a vida selvagem para o quintal de suas casas. Por isso mesmo, abelhas, borboletas, ouriços e esquilos (somente os nativos) são muito bem-vindos e há campanhas, estimulando e ensinando a população a atraí-los.

E fazer a contagem anual destas espécies é uma das muitas iniciativas promovidas pelas organizações que trabalham pela proteção e conservação da fauna e flora no Reino Unido.

Agora, por exemplo, acontece um censo nacional para a contagem de abelhas, o The Great British Bee Count, realizado pela ONG Friends of the Earth. No ano passado, milhares de pessoas participaram e quase 400 mil abelhas foram contabilizadas.

O censo começou no último dia 19 de maio e vai até 30 de junho. Este é o pico da primavera, quando as flores atraem mais abelhas nesta parte do mundo.

Para participar, como eu estou, já que moro perto de Londres atualmente, Censo de abelhas mobiliza britânicos em aplicativo no celular
basta fazer o download gratuito de um aplicativo no celular. Aí, toda vez que você avistar uma abelha, tira uma foto, identifica qual sua espécie (há uma opção entre duas delas, com ilustrações bem explicativas), informa a quantidade e onde foi observada. Simples assim! Divertido, rápido e muito bacana.

O objetivo da campanha britânica é auxiliar especialistas a entender o comportamento e situação atual das diferentes espécies, como elas estão se adaptando às mudanças climáticas e à perda de habitat.

No mundo todo, há um declínio da população de abelhas. Cientistas apontam o uso de pesticidas na lavoura como sendo um dos principais responsáveis pelo desaparecimento destes insetos, essenciais para a polinização e consequente, produção de alimentos no planeta. Só no Reino Unido, 20 espécies de abelhas já estão extintas e outras 35 ameaçadas de desaparecer.

Estudos mostram que jardins urbanos e parques são tão importantes para insetos polinizadores quanto o campo, porque na cidade, eles encontram uma maior variedade de plantas e flores. O aplicativo do censo das abelhas também dá dicas do que cultivar no jardim para atrair mais insetos. Flores de cor roxa são as que as abelhas mais enxergam.

Então, quando chegar a primavera no Brasil, que tal deixar seu quintal ou sacada mais convidativos também para estes insetos?

Um dos registros do censo de 2016, quando
quase 400 mil abelhas foram registradas

Abaixo, algumas das fotos enviadas pelos participantes do The Great British Bee Count:

Leia também:
Parque de Curitiba vão ganhar “Jardins de Mel”
Ouriços: fofos, mas quase extintos no Reino Unido
Borboletas para saudar a primavera
Abelhas selvagens estão desaparecendo por causa do uso de pesticidas
Ameaça a polinizadores coloca em risco produção global de alimentos, equilíbrio ambiental e saúde do ser humano

Fotos: divulgação Friends of the Earth

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Deixe uma resposta