Ceará ganha uma nova reserva de proteção ambiental: Sítio Lagoa

Ceará ganha uma nova reserva de proteção ambiental: Sítio Lagoa

Localizada no município de Guaramiranga, a 110 quilômetros de Fortaleza, a recém-inaugurada Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sítio Lagoa é uma área de 70 hectares, na região do Maciço de Baturité, que curiosamente engloba uma mancha da Mata Atlântica em meio à Caatinga, bioma que praticamente domina a vegetação cearense.

“É um local de transição entre a área úmida e o semiárido, o que a torna fundamental para a conservação de espécies endêmicas ameaçadas de extinção, como o periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) e o tucaninho-da-serra (Selenidera gouldii baturitensis)”, revela o responsável técnico pela criação da RPPN, Samuel Portela.

“Além disso, o Maciço de Baturité funciona como uma grande caixa d’água para a região, por se tratar de uma área úmida em meio à predominância do clima semiárido. O local se torna um agente importante na manutenção de recursos hídricos, sendo responsável também por deixar a temperatura mais amena. E esses são aspectos de difícil valoração”, explica.

Para quem não conhece o conceito de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, vale a pena abrir um parênteses aqui no texto. RPPNs são áreas de conservação ambiental criadas pela vontade de um proprietário rural, mas sem desapropriação de terra. Entretanto, no momento que decide criar uma RPPN, ele assume o compromisso com a preservação da natureza. Ainda assim, podem ser realizadas no local atividades recreativas, turísticas, de educação e pesquisa na reserva, desde que sejam autorizadas pelo órgão ambiental responsável pelo seu reconhecimento.

A iniciativa da criação de uma nova RPPN é importantíssima para a preservação da Caatinga. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o desmatamento já fez com que este bioma perdesse cerca de 45% da vegetação nativa – mais de 300 mil km². Todavia, infelizmente, apenas 7,48% de seu território do Ceará é protegido por Unidades de Conservação.

O processo de criação da RPPN pelo Estado também contou com a ajuda da Associação Caatinga, entidade não-governamental, que trabalha para preservação da natureza e da vida neste bioma, que teve apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

“A ideia de manter parte da área com floresta preservada sempre foi uma prática da família e a decisão de criar uma RPPN surgiu a partir da vontade de evitar possíveis degradações no futuro”, conta Antônio Eugênio Gadelha, um dos proprietários do sítio. “Conhecemos essa área e percebemos o quanto ela é importante para as condições climáticas de nossa serra. Como proprietários, precisávamos cuidar da preservação desse bioma”.

Área de mata preservada do Sítio Lagoa

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que boa parte de seu patrimônio biológico não existe em mais nenhum outro lugar do planeta. Apesar disso, ele é o mais desconhecido pela nossa população e também, o mais frágil: o uso insustentável de seu solo e dos recursos naturais e a imagem eterna de pobreza e da seca, sempre ajudaram a manter sua degradação. Atualmente resta somente 20% de sua cobertura nativa.

Ocupando cerca de 11% do território nacional – 850 mil km2, o que equivale ao tamanho da Alemanha e da França, juntas –, a Caatinga envolve dez estados, a maioria no Nordeste: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e parte de Minas Gerais (este, na região Sudeste).
*Com informações da Fundação Boticário de Proteção à Natureza e do WWF-Brasil 

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Foto: divulgação/Samuel Portela

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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