Cataki – o ‘Tinder da reciclagem’ – recebe prêmio internacional de inovação digital

Em plena terça feira de Carnaval, o ‘artivista’ Mundano, idealizador do Pimp My Carroça (contei um pouco de sua história aqui, no Conexão Planeta), e seu amigo Breno Castro Alves trocaram o calor de São Paulo pelo frio de 1º C de Paris para participar de um evento na sede da Unesco, no qual concorreram ao Grand Prize Netexplo Digital Innovation Award, o maior prêmio de inovação digital do mundo.

De dois mil inscritos, dez projetos foram contemplados com o prêmio, entre eles o aplicativo Cataki, lançado em abril do ano passado (falei dele, aqui, também), que ficou conhecido como “Tinder da Reciclagem”. Todos subiram ao palco para receber a estatueta dourada naquela noite fria na capital francesa. Mas ainda concorriam a um segundo prêmio, que seria concedido pela plateia. Pois Mundano e Breno convenceram a todos os presentes de que o Cataki era o melhor projeto entre todos, e trouxeram os dois prêmios (foto abaixo) pra casa.

Não foi à toa que eles trouxeram pra casa o prêmio do Netexplo, observatório independente de estudos sobre o impacto de inovações tecnológicas na sociedade e nos negócios, realizados em parceria com a Unesco. O aplicativo é genial e rapidamente transformou a rotina de inúmeros catadores de materiais recicláveis pelo Brasil. E mais: pode ser replicado em qualquer lugar do planeta.

Além de facilitar o contato entre pessoas e empresas com os catadores – uma espécie de match -, o Cataki dá maior visibilidade para estes agentes ambientais, como Mundano sempre faz questão de frisar, desde que criou o projeto Pimp My Carroça, em 2012. Foi assim na cerimônia de premiação também: “Lutamos pelo reconhecimento dos catadores, que são verdadeiros agentes ambientais. O app é uma forma alternativa de aumentar a renda deles com benefício ambiental sem preço”.

Os dois amigos subiram ao palco para receber o prêmio de uma forma inusitada: com adereços que remetiam ao Carnaval (gravatas coloridas, óculos gigantes), além de confete e purpurina. Foi uma festa!

Breno, que coordenou o projeto do aplicativo, explicou ao público como ele funciona. Os catadores se cadastram ou podem ser cadastrados por alguém em um banco de dados. A partir daí, recebem ligações dos usuários do app que querem descartar objetos como aparelhos eletrônicos, vidros, jornais, móveis e papeis em geral. O usuário tem acesso ao perfil do catador mais próximo e, pelo aplicativo, pode combinar com ele o horário e o local da coleta, além do valor do pagamento. Ele ressaltou: “Como se trata de uma população muito vulnerável, que sofre com a exclusão digital, criamos uma plataforma colaborativa que não exige muita tecnologia”.

A página do Pimp My Carroça no Facebook ainda revelou detalhes da premiação: “Quebraram o gelo do evento, mandando um papo reto com dedo na ferida, afinal, tinham poucas chances diante de tanta high-tech. E o lance era questionar a tecnologia inacessível, que faz fortunas para poucos e mostrar que os catadores fazem mais pelo planeta do que muitos líderes mundiais”. E acrescentou: “Catadores e catadoras, este prêmio é pra vocês!”, agradecendo também aos financiadores Humanitas 360 e Oak Foundation – o aplicativo custou R$ 160 mil -, e aos apoiadores como a ONG Cidade dos Sonhos, a Locaweb e a Porto Social.

O Cataki veio intensificar o trabalho lindo que Mundano vem fazendo desde a criação do Pimp, quando começou a reformar as carroças dos catadores e a valorizar o trabalho realizado por eles, chamando a atenção dos cidadãos para o impacto positivo gerado por suas ações, ajudando-os a reconquistar sua dignidade.

O aplicativo reforça a conexão entre esses trabalhadores invisíveis – que ajudam a manter as cidades mais limpas – e a sociedade. Desde que foi lançado, mais de 300 catadores de mais de 30 cidades brasileiras se registraram (ou foram registrados) no aplicativo.

Já aderiu ao Cataki? Ele está disponível gratuitamente para Android e iOS.

Se quiser saber um pouco mais a respeito do aplicativo, assista ao vídeo abaixo:

Fotos: Veridiana Sedeh

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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