Casas de bairro de Londres serão aquecidas com energia gerada pelo metrô

metrô de londres

Nada mais atual do que a famosa frase do químico francês Antoine Laurent Lavoisier: “Nada se cria, tudo se transforma”. Apesar de ter sido dita no século XVIII, ela se encaixa perfeitamente em um conceito muito utilizado nos dias de hoje, o da economia circular, que defende que a nossa produção de bens deve estar baseada na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia.

E é justamente isso a base de um esquema que entrou em operação em 2013 e devido a seu sucesso, será ampliado nos próximos meses, em Londres, na Inglaterra.

O calor produzido e muitas vezes, desperdiçado, pelo funcionamento dos metrôs tem sido utilizado, durante os meses de inverno, em aquecimento para residências e empresas na região de Islington, ao norte da capital.

Na primeira fase do projeto, pioneiro na Europa, cerca de 700 casas e estabelecimentos foram beneficiados, pagando inclusive, uma conta menor de energia elétrica. Até o final do ano, o número de residências passará de 1 mil.

O calor gerado pelos vagões de metrô é canalizado e depois, distribuído pelo Bunhill Energy Centre. Além de produzir energia mais barata, com o projeto, estima-se que, por ano, a cidade de Londres deixa de emitir 500 toneladas de CO2 (dióxido de carbono), um dos gases apontados como sendo o principal responsável pelo aquecimento global.

De acordo com o Departamento de Transporte de Londres (TFL, na sigla em inglês), a reutilização do calor gerado dentro das estações de metrô tem uma capacidade futura para atender até 38% da demanda por aquecimento da população londrina.

Atualmente, quase 50% da energia usada na capital inglesa é empregada para esquentar casas e empresas e representa cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa do país.

Em 2015, o TFL também anunciou que, através do uso de uma nova tecnologia, o metrô da cidade começaria a reciclar energia gerada pelos freios e desta maneira, suprir a demanda de eletricidade das próprias estações.

O investimento em inovação faz parte de uma política do governo para transformar o sistema de transporte público da cidade mais limpo e verde. Uma outra medida adotada foi a troca da frota de ônibus por modelos híbridos e com zero emissão de carbono.

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Foto: Chris Jones/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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