Casal gay de aves choca ovo e cria filhote em Amsterdam

Casal gay de aves choca ovo e cria filhote em Amsterdam

Esta é um excelente notícia para acabar com a polêmica sobre o homossexualismo na natureza. O ARTIS Amsterdam Royal Zoo divulgou recentemente o nascimento de um filhote de abutre, que foi chocado por um casal de machos.

O abutre-fouveiro (Gyps fulvus), também conhecido pelo nome de grifo, é uma espécie monogâmica. Uma vez que o animal encontra um parceiro, nunca mais o abandona. Em diversas épocas de reprodução, o casal de machos do zoológico holandês acasalou, construiu ninhos e tentou dar início a uma família. Obviamente, isso é impossível por razões biológicas.

Todavia, a equipe de veterinários do Artis encontrou um ovo abandonado e teve uma ideia. Depois de ter certeza de que o ovo era fértil, decidiu colocá-lo no ninho feito pelo casal. Imediatamente as duas aves começaram a chocá-lo, fazendo um revezamento para mantê-lo aquecido.

“Só queríamos dar uma oportunidade para que o casal cuidasse do ovo e criasse o filhote”, contou Job van Tol, em entrevista à publicação Deutsche Welle. “Ficamos bastante apreensivos, sem sabe ser funcionaria, pois esta foi a primeira vez que tentamos algo assim. Mas eles não poderiam ter feito um trabalho melhor. O filhote já está tão grande quanto seus pais adotivos”.

Amor e proteção: é tudo o que o filhote necessita

Nos últimos dois meses, desde o nascimento do pequeno grifo, os machos cumpriram todas as funções esperadas: buscaram comida, alimentaram o filhote e protegeram o ninho. “É por isso que não importa se você tem um casal heterossexual ou homossexual cuidando de um filhote. Um casal gay faz o trabalho tão bem quanto qualquer outro”, destaca van Tol.

A história que vem de Amsterdam é mais uma prova de como a homossexualidade é natural no meio selvagem. Estudos indicam que há mais de 1.500 espécies de animais – entre insetos, peixes, mamíferos e aves -, que se acasalam com indivíduos do mesmo sexo.

O casal de machos cuidando de seu filhote

Entre as girafas, por exemplo, acasalamento entre o mesmo sexo é mais comum do que o entre sexos opostos. Na verdade, especialistas afirmam que o comportamento homossexual representa quase 90% das relações da espécie.

Mesmo o rei da selva, o leão, mantem relações com outros machos. É uma maneira também de aproximar dos outros e criar elos de lealdade com os demais. Pode ser ainda, pela simples razão de ter prazer.

Pesquisas indicam que o acasalamento entre membros do mesmo sexo é bastante comum entre aves. Entre os cisnes, por exemplo, 20% dos casais são homossexuais.

Em 1987, outra notícia teve bastante repercussão internacional, com o casal de pinguins macho – Roy e Silo -, que viviam juntos há seis anos, no New York City’s Central Park Zoo. Depois de algumas tentativas de chocar uma pedra, foi dado aos dois um ovo. Nasceu então Tango, que anos depois, também escolheu um companheiro do mesmo sexo.

A história de Silo e Roy ficou tão famosa que deu origem a uma peça e um livro infantil. Como sempre, é a natureza dando lições lindas aos seres humanos, de amor, tolerância e generosidade.

Fotos: divulgação Artis Zoo Amsterdam e US National Oceanic and Atmospheric Administration (pinguins)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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