Carros a diesel, não!

manifesto-repudio-carro-a-diesel-elionas-pixabay-800.pngVc já deve ter saber que há uma comissão na Câmara dos Deputados discutindo um projeto de lei para aprovar a fabricação e comercialização de carros de passeio a diesel no Brasil, não? Trata-se de um grande retrocesso: o Projeto de Lei 1013/2011, de autoria do Dep. Áureo (SD-RJ) – guarde bem esse nome! – que óbvia e rapidamente gerou revolta em várias esferas da nossa sociedade.

Preocupados com sua aprovação* e encaminhamento ao Senado para votação final, médicos, ambientalistas, cientistas, especialistas em poluição do ar, organizações de pesquisa, empresários e entidades de defesa do consumidor e cinco ex-ministros do Meio Ambiente – Izabella Teixeira, Marina Silva, Rubens Ricupero, José Carlos Carvalho e Carlos Minc – se uniram ao Observatório do Clima e lançaram, ontem (13/6), um manifesto de repúdio, que já foi encaminhado à referida comissão.

Seus signatários consideram o tal projeto um atentado aos interesses da sociedade já que colocará o Brasil na contramão dos esforços mundiais para reduzir a poluição do setor de transportes, o que impediria avanços no cumprimento das metas climáticas nacionais referentes ao Acordo de Paris, definido na COP21, na capital francesa, em dezembro de 2015.

Além disso, com essa medida absurda, o consumo de etanol poderá ser reduzido e o de combustíveis altamente poluentes elevado, o que causará danos irreversíveis à saúde pública. O mais incrível é que a circulação desse tipo de veículo está condenada em países desenvolvidos (Londres e Paris já estão se movimentando para bani-los das ruas até 2020), não só pela poluição que causam, mas também por representarem prejuízos à economia: no nosso caso, não teríamos outra alternativa se não importar mais óleo diesel, o que também encareceria o transporte de cargas.

A ex-ministra do governo Dilma, Izabella Teixeira, disse ao Observatório do Clima: “É incrível que ainda tenhamos gente no Brasil que aposta no obsoleto para justificar ganhos de curto prazo. O mundo caminha na direção da economia de baixo carbono e do crescimento inclusivo. O país que mostrou ao mundo o caminho dos biocombustíveis não pode ter como escolha usar diesel em seus carros de passeio. Não é só uma medida absurda ou extemporânea. É inaceitável!”.

A verdade é que, em vez de dedicarmos tempo e dinheiro a tecnologias antiquadas e poluentes, deveríamos investir em projetos para aperfeiçoar o uso de combustíveis renováveis e reduzir emissões de gases de efeito estufa. Deveríamos focar na economia de baixo carbono, por todos os motivos já sabidos, principalmente estes: impedir o avanço das mudanças climáticas e cumprir as metas estabelecidas no acordo climático estabelecido durante a COP21, além de evitar a poluição do ar e os danos causados à saúde dos habitantes dos grandes centros urbanos (como mortes precoces), o que impacta na economia também.

Proteste, espalhe, reclame, rejeite, se indigne! Crie uma petição! Participe desta movimentação contra a aprovação do Projeto de Lei 1013/2011 do seu jeito, mas participe! Só assim será possível transformar e melhorar a política, a economia e a vida em nosso país.

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*A última sessão que debateu o tema aconteceu em 1/6 e contou com a participação dos seguintes deputados: Bruno Covas (PSDB-SP), Aureo (SD-RJ) – autor do projeto -, Ricardo Tripoli (PSDB-SP), Andres Sanchez (PT-SP), Célio Silveira (PSDB-GO), Antonio Carlos Mendes Thame (PV-SP), Heitor Schuch (PSB-RS) e Alexandre Baldy (PTN-GO), além do relator Evandro Roman (PSD-PR). A votação foi adiada por cinco sessões devido a aprovação de requerimento de Covas, que é contra sua aprovação.  

Ilustração: Elionas/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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