Carnaval sem catador é lixo!

Pelo calendário oficial, a folia começaria no próximo fim de semana, certo? Mas diversas cidades pelo país já botaram seus blocos na rua e a sujeira também.

No Carnaval do ano passado, o artivista Mundanocooperativas de catadores criaram o Bloco da Reciclagem (foto abaixo) e fizeram campanha e ações pelas ruas de São Paulo para garantir que os resíduos recicláveis não fossem parar nos aterros. Fizeram um lindo trabalho.

“Em pleno 2019, é uma vergonha e inaceitável que a maior festa do país, que só em São Paulo movimenta 1,9 bilhão de reais, não tenhamos um mínima estrutura de coleta seletiva”, desabafou Mundano em seu Instagram, ao divulgar a campanha deste ano

“A prefeitura, as marcas e os blocos nada fazem! O que acontece, na prática, é apenas a limpeza das vias públicas pelos garis e todo o material reciclável vai para os aterros. Desse modo, pagamos para as empresas enterrarem dinheiro e recursos naturais, e deixamos de preservar matérias-primas, água e energia, cada vez mais escassos”, continuou. Äfinal, ao reciclar materiais como alumínio e ferro, por exemplo, fazemos a economia circular e diminuímos a demanda da irresponsável mineração da Vale!”. 

Mundano contou que a ideia inicial era tentar conseguir a contratação dos catadorespor empresas e prefeitura – por intermédio das cooperativas e de seu Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Reciclaveis (MNCR)– para realizar a coleta seletiva nesses dias. 

Mas, como isso não aconteceu, eles resolveram fazer uma campanha de arrecadação – por intermédio de uma plataforma de financiamento coletivo, o Benfeitoria– para tornar possível o trabalho dos catadores, com mais dignidade. Um sonho que você pode ajudar a se tornar realidade.

Gabriel teve sua carroça pimpada pelo pessoal do Pimp My Carroça e ficou super feliz: “Rapaz, eu to tão feliz que vou até mergulhar nas latinhas! Hoje cedo ganhei uma reforma na carroça e, agora, ainda ganhei um monte de latinhas! Bom carnaval aí pra vocês!”

O dinheiro obtido com essa campanha será utilizado para remunerar os catadores e cobrir despesas com luvas, camisetas e logística. Todo tipo de resíduo reciclável será recolhido.

E este ano, Mundano e as cooperativas se juntaram à turma do SP Invisível(falamos deles logo depois da tragédia de Brumadinho) – que também realizou uma ação no ano passado, o Carnaval Invisível com seu Bloco dos Catadores

Os catadores vão passar nas bases do Carnaval Invisível para encher seu saco ou carroça. E, se algum catador estiver usando sacos pequenos ou de má qualidade, pode trocar nas bases por sacos maiores e mais resistentes. Até nisso essa turma pensou! 

SP Invisível também promove uma campanha para arrecadação – neste link– para financiar as bases de reciclagem e também convida os apoiadores a se tornarem voluntários do Carnaval Invisível, para executar o trabalho de poio aos catadores, como explico a seguir.

Como funciona o Carnaval Invisível nas ruas?

O trabalho está muito bem organizado em quatro bases de reciclagem, espalhadas pelos blocos de rua em São Paulo, para que todos joguem suas latinhas no lugar certo. Além disso, voluntários da campanha saem às ruas para coletar latinhas em outros pontos de lixo e no chão (!!!) para colocarem nas bases, potencializando a coleta dos catadores. 

No Instagram do SP Invisível, os organizadores contam que, “no ano passado, 200 catadores foram beneficiados e reciclaram 1,5 toneladas de latinhas. E isso apenas com uma base! Este ano, temos quatro bases para reciclar cerca de seis toneladas de latas, colaborando com 800 catadores”. Muito bacana! Por isso, quanto mais voluntários, melhor. Inscreva-se!

Assim, Bloco da Reciclagem e Carnaval Invisível chegam com mais força pra garantir um carnaval mais sustentável para a capital paulista e aproveitar a oportunidade para conscientizar sua população sobre a importância do trabalho dos catadores. Eles precisam deixar de ser invisíveis porque, afinal, como Mundano sempre destaca: “Eles são os verdadeiros agentes ambientais de nossas cidades!”. É isso!

Pra finalizar, cante com a catadora-cantora-estilista Cacau, fantasiada com material reciclável, que manda seu recado no vídeo publicado por Mundano, no Instagram.

A música é do Martinho da Vila (“canta, canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá…”, lembra?) e a letra especial para esta campanha é esta:

“Cata, cata minha gente
Passa o reciclável pra cá, 
A natureza agradece
#Cataki Catacolá!”.

Agora, assista ao vídeo produzido pelo Bloco da Reciclagem no qual os catadores explicam as questões do seu trabalho e porque é imprescindível apoiá-los pelo financiamento coletivo.

Fotos: Divulgação/ Instagram do Mundano e SP Invisível

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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