Cargo Human Care: o voo que leva esperança

crianças do projeto Cargo Human Care

Três vezes por mês um avião cargueiro da companhia alemã Lufthansa leva uma carga valiosíssima para Nairobi, a capital do Quênia. Dentro da aeronave, estão médicos voluntários. Eles irão passar alguns dias neste país distante da África para tratar de pessoas carentes.

“Se você é pobre e fica doente nesta parte do mundo, dificilmente tem uma chance de sobreviver”, disse o comandante Fokko Doyen à Lufthansa Magazin. O projeto Cargo Human Care,  iniciado em 2007, conta com o trabalho de 40 médicos alemães. O centro de atendimento médico fica no mesmo lugar onde funciona o abrigo Mother’s Mercy Home, que cuida de aproximadamente 130 crianças orfãs. Muitas delas são portadoras do vírus HIV, contraído dos pais.

Localizado em Kianjogu, a pouco mais de 25 quilômetros de Nairobi, o centro recebe cerca de 100 pacientes por dia. Uma lista na porta informa em que dias os médicos especialistas vindos da Alemanha estarão no local. O atendimento para as crianças é gratuito e os adultos pagam uma taxa mínima, algo em torno de € 90 centavos.

A visita dos médicos voluntários nesta pequena cidade africana tem um impacto direto no futuro de Kianjogu. Crianças saudáveis podem estudar e ir à escola. Com a formação que receberam, se tornarão adultos que poderão trabalhar e ajudar no desenvolvimento econômico e social da comunidade.

dentista do projeto Cargo Human Care

Criança sendo atendida na clínica de Kianjogu, no Quênia

O projeto de auxílio médico voluntário da Lufthansa foi idealizado por Doyen. Inicialmente, a companhia só prestava ajuda humanitária ao Mother’s Mercy Home: doação de alimentos e roupas. Em um visita ao local, o piloto conheceu o menino John Kaheni, na época com 10 anos. Devido à complicações provocadas pela Aids, o garoto tinha um problema no coração e precisava de uma cirurgia.

Na Alemanha, Doyen conseguiu arrecadar € 1.500 para o procedimento e se tornou padrinho de Kaheni. Aos 20 anos, o jovem se tornou um grande fã de música e sonhava em ser um produtor. Em dezembro do ano passado, contou ao padrinho que queria estudar, trabalhar e encontrar uma namorada. Mas pouco tempo após esta conversa, a válvula artificial do coração de Kaheni começou a funcionar mal. Fokko Doyen agilizou rapidamente uma equipe médica para atender o jovem, mas infelizmente, ele não resistiu. Não chegou a completar 21 anos.

Doyen achou que não poderia mais continuar no projeto. Mas logo, encontrou uma nova motivação. Um albergue para os jovens que completam 18 anos e precisam deixar o abrigo será construído. O prédio receberá o nome de John Kaheni.

Em Nairobi, 65% de seus 4 milhões de habitantes não têm acesso à água potável ou tratamento de esgoto. E iniciativas como a Cargo Human Care – e a de Fokko Doyen – fazem uma imensa diferença na vida destas pessoas.

Fotos: Cargo Human Care

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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